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Diabulimia: conheça o transtorno alimentar que atinge pessoas com diabetes – VivaBem

Imagine ter diabetes do tipo 1 e reduzir ou deixar de tomar insulina de forma proposital para conseguir emagrecer? É o que acontece com pessoas que sofrem de diabulimia, um transtorno que combina a doença com a bulimia.

Nesses casos, ocorrem práticas purgativas como vômitos, uso de laxantes e diuréticos, mas a diabulimia também pode estar associada a outros transtornos alimentares como a anorexia nervosa, quando a pessoa passa a restringir a sua alimentação. Ambas as combinações são bastantes perigosas, já que as pessoas com diabetes tipo 1 necessitam de insulina diariamente para manter os níveis de açúcar no sangue adequados e evitar as complicações graves da doença crônica.

Vale destacar que a insulina metaboliza o alimento e o converte em energia em nível celular. Se o organismo não tiver insulina, ele não utilizará a energia dos alimentos e assim ocorre uma grande perda de peso, já que o açúcar extra (e calorias) acaba sendo eliminado pela urina. É por isso que quem tem a diabulimia deixa de tomar o hormônio ou o diminui drasticamente: para não engordar, mesmo comendo compulsivamente.

Causas do transtorno

Os especialistas acreditam que as causas para a diabulimia estão ligadas a uma insatisfação com o peso e a imagem corporal. E também devido à necessidade de focar a todo instante na alimentação, monitorização da glicemia e a necessidade de aplicar várias doses de insulina por dia, de acordo com os carboidratos ingeridos.

“Essas situações são fatores que causam um estresse psicológico que, somado a um quadro de baixa autoestima, acarreta em uma necessidade de retomar o controle da própria vida”, explica Claudia Pieper, endocrinologista e co-coordenadora do Departamento de Doenças Psicossociais e Transtornos Alimentares da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).

“Diabetes é uma doença que precisa de atenção e tratamento para a vida inteira. É comum também que surjam comportamentos como compulsão alimentar e, em seguida, a diabulimia. É algo muito sério, pois a combinação de diabetes com transtornos alimentares aumenta o risco da mortalidade devido às complicações da doença”, diz Nicoli Brek, nutricionista especialista em transtornos alimentares e colaboradora do Ambulim (Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas).

Esse comportamento perigoso é mais comum do que se imagina. De acordo com dados da American Diabetes Association, cerca de um terço das mulheres com diabetes tipo 1 relataram fazer restrições de insulina.

Diabetes x coração, doença cardiovascular - iStock - iStock

Um terço das mulheres com diabetes tipo 1 relataram fazer restrições de insulina

Imagem: iStock

Sintomas e diagnóstico de diabulimia

Os sintomas costumam ser difíceis de identificar, por isso é fundamental que a pessoa com diabetes receba acompanhamento de uma equipe de profissionais de saúde de diversas áreas, como endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos, que fique atenta aos sintomas e mudanças de comportamentos.

Entre os sinais que merecem atenção, podemos citar:

  • Perda de peso sem justificativa;
  • Hemoglobina glicada (glicemia) acima de 9% com frequência;
  • Hipoglicemias graves sem motivo aparente;
  • Sede persistente e excesso de urina;
  • Preocupação excessiva com o peso e imagem corporal;
  • Depressão, alteração de humor ou fadiga;
  • Omissão de glicemias, aplicações de insulina e hábitos de alimentação para os familiares e amigos;
  • Infecções urinárias frequentes;
  • Mudanças no padrão alimentar;
  • Retardo no desenvolvimento e no aparecimento dos sinais da puberdade;
  • Uso excessivo da balança;
  • Compulsão alimentar;
  • Atividades físicas em excesso.

Quais são os riscos?

Parar de aplicar insulina traz diversos riscos para a saúde da pessoa com diabetes e, em casos mais graves, leva à morte. Uma complicação bastante comum é a cetoacidose diabética, ou seja, uma descompensação da glicemia que ocorre quando o açúcar no sangue está muito alto e as substâncias ácidas, chamadas cetonas, atingem níveis perigosos no organismo.

Entre os sintomas estão confusão mental, hálito alterado, fadiga e respiração acelerada. Nesses casos, torna-se uma emergência médica. Foi o que aconteceu com a estudante de psicologia Fernanda*, 20. A jovem conta que por causa da diabulimia teve cetoacidose diabética e chegou a ser internada na UTI.

“Tive fases que diminui mais da metade da dose de insulina. Tomava apenas o necessário para não ter de ir para o hospital. E assim emagrecia muito rapidamente. Após voltar a tomar insulina, eu ficava inchada e com medo de engordar e abandonava o tratamento. Se tornou um ciclo”, diz.

Ela também restringia a quantidade de carboidratos da dieta e teve vários episódios de compulsão alimentar. “Não tive complicações graves, mas sofri muito para conseguir me curar. Ninguém conhecia o assunto quando fui buscar ajuda. Até hoje sinto vontade de parar de aplicar a insulina para emagrecer, mas coloco a minha saúde em primeiro lugar”, completa.

A diminuição da dose de insulina leva ao aumento da glicemia e proporciona alterações irreversíveis ao organismo de quem tem diabetes. Eles podem ter quadros de hipoglicemias graves e complicações crônicas como retinopatia (danos na retina que causam cegueira), nefropatia (lesão no rim) e neuropatia diabética (distúrbios nos nervos nas pernas e pés) de início precoce.

Ao reforçar o valor do físico nas campanhas publicitárias, as crianças podem desenvolver distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia. - Getty Images - Getty Images

Estudos apontam que a diabulimia é mais frequente em mulheres e jovens

Imagem: Getty Images

A importância do tratamento

A perda de peso muito rápida causa uma sensação de controle do corpo e o fato de o diagnóstico do diabetes tipo 1, geralmente, ocorrer no início da puberdade aumenta o risco da diabulimia em pessoas muito jovens. Por isso, o tratamento costuma ser demorado e envolve diversas abordagens para alterar os padrões de comportamento e diminuir os gatilhos.

“Infelizmente, as consequências da diabulimia não podem ser recuperadas. Pesquisas mostram que a mortalidade das pessoas com esse transtorno aumenta consideravelmente. Assim, o apoio psicológico é indispensável tanto para o indivíduo quanto aos seus familiares”, diz Ana Maria Roma, nutricionista e coordenadora da área de Nutrição do Proata (Programa de Atendimento a pacientes com Transtornos Alimentares) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Segundo ela, é preciso abordar as consequências da restrição da insulina e os riscos para a saúde desde cedo. Além disso, é fundamental que os profissionais de saúde tenham informações e conheçam mais a diabulimia, para conseguir diagnosticar de forma precoce, e a família compareça às consultas e participe do tratamento.

“Os médicos, nutricionistas, endocrinologistas e psicólogos que lidam com as pessoas com diabetes precisam ter um olhar diferenciado para com esses indivíduos. A família deve apoiar e evitar julgamentos ou buscar um culpado para que o tratamento seja eficaz”, diz Roma.

*O nome do personagem foi alterado para preservar sua identidade

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Novo medicamento entra no rol do SUS para combate ao diabetes em Minas – Estado de Minas

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

Pacientes com diabetes têm agora mais uma opção de medicamento, acessível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para tratamento da doença. Minas Gerais acaba de ampliar a oferta de remédios para pessoas com diabetes mellitus tipo 2 (DM2), com a dapaglifozina. O fármaco é indicado para portadores dessa classe de diabetes, com 65 anos ou mais, com doença cardiovascular estabelecida ou com doença renal relacionada ao transtorno. O formulário de solicitação do medicamento já foi disponibilizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Essa é mais uma alternativa para o controle dos níveis de glicose no sangue, prevenindo e reduzindo os impactos do desequilíbrio na saúde.

A decisão de incorporar o novo medicamento como alternativa ao tratamento de diabetes tipo 2 é considerada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG) um avanço para aqueles com doença cardiovascular ou renal.

O alvo é, entre o público dentro do perfil definido para o uso da dapagliflozina, principalmente pessoas que não conseguiram controle adequado da DM2 em outros tratamentos.

Até o momento, o SUS fornece à população opções como as insulinas humana NPH e humana regular, e os medicamentos metformina, glibenclamida e glicazida. No entanto, a dapagliflozina pertence a uma classe de medicamentos diferente das já ofertadas. Atualmente, mais de 12 milhões de brasileiros convivem com a doença.

No site da SES-MG está o checklist, com a relação de documentos e exames necessários para a solicitação desse medicamento, disponível em //www.saude.mg.gov.br/formulariosceaf, ao clicar em ‘diabetes mellitus tipo 2’.

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Quantidade de pessoas diagnosticadas com diabetes aumenta durante pandemia – Brasil de Fato

Este sábado (14) marca o Dia Mundial do Diabetes. Infelizmente, não há muitos motivos para comemorar, pelo contrário.

Segundo o Atlas do Diabetes, publicado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), em 2019, uma a cada cinco pessoas com mais de 65 anos tem diabetes e 79% dos adultos que vivem com a doença estão em países de baixa e média renda no mundo. Somente naquele ano, foram 4,2 milhões de mortes decorrentes da doença. 

De acordo com um estudo da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2018, em todo o mundo, haverá 629 milhões até 2015. Da América Latina, o Brasil é o país que possui mais casos, com 16,5 milhões de diabéticos, segundo o IDF. No mundo todo, o país ocupa o quarto lugar, atrás da China, Índia e Estados Unidos.

Segundo Nathalia Neiva, médica que integra a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, o cenário piorou durante a pandemia de covid-19, uma vez que esta intensificou a crise econômica.

“Isso fez com que as pessoas alterassem o padrão de alimentação. Às vezes, a queda da renda fez com que voltassem a comer alimentos com mais taxas de carboidratos, que são alimentos mais baratos. Então, a gente começou a identificar mais pessoas desenvolvendo diabetes durante a pandemia”, afirma Neiva. 

De fato, houve um aumento de 6% do consumo de doces, 5% de embutidos, como salsicha e presunto, e 4% de congelados. Ao mesmo tempo, o consumo frutas, verduras e legumes em cinco dias ou mais por semana caiu 4% e é feito por apenas 33% dos entrevistados da pesquisa Covid – Pesquisa de Comportamento, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre a população de baixa renda, o consumo cai de 33% para 16%. 

“A alimentação não é somente uma questão de opção. Não é uma responsabilidade individual. Não adianta nada o indivíduo optar por uma alimentação saudável se não tem condições para garantir isso”, lamenta Neiva. 

Para evitar a diabetes, o mais recomendado é uma dieta rica em verduras, frutas, in natura e cozinhados. Devem ser evitados alimentos com grande quantidade de açúcar, como aqueles de farinha branca: pães, bolos, massas, arroz branco em excesso; além dos açucarados, como refrigerantes, bolachas recheadas, alimentos industrializados.

“A gente vai no supermercados e vê fileiras e fileiras de pães, doces, geleias, alimentos que têm muito açúcar. Só lá no finalzinho do mercado que a gente vai encontrar os alimentos que deveriam estar mais disponíveis para nós”, aponta Neiva. 

No Brasil, graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), aqueles que são diagnosticados como diabéticos têm acesso ao tratamento gratuito. Segundo Neiva, uma pessoa com diabetes precisa de um acompanhamento multidisciplinar. Isso porque a diabetes de tipo 2, a mais comum, se desenvolve a partir de um conjunto amplo de fatores de risco.

Por isso, são necessários os médicos para fazer o acompanhamento médico, nutricionistas para estabelecer uma dieta saudável e acompanhá-la, educadores físicos, exames, medicamentos e outros insumos, como metformina, glibenclamida e gliclazida, fornecidos gratuitamente. “Precisa de um cuidado que é integrado e funciona em rede. É o SUS que vai providenciar isso”, ressalta.

Mas o que é diabetes? 

Diabetes é uma doença caracterizada pelo aumento da taxa de glicose, ou seja, o nível de açúcar no sangue, que se dá pela dificuldade do corpo em absorvê-la para dentro das células, por causa do baixo nível de insulina.

Em outras palavras, há “uma combinação de uma resistência da ação da insulina que é essa molécula responsável por trazer glicose para dentro da célula fazendo com que a taxa de açúcar no sangue fique permanentemente elevada. Isso se caracteriza como diabetes”.

Os tipos 1 e 2 são os mais comuns. O primeiro é geralmente desenvolvido durante a infância e a causa principal é genética. Neste caso, o organismo produz anticorpos, que são células de defesa, contra as células beta, responsáveis pela produção de insulina e que ficam no pâncreas.

O segundo é frequentemente desenvolvido por pessoas no processo de envelhecimento, a partir dos 40 anos de idade. Aqui, há um aspecto multifatorial: alimentação, sedentarismo, componentes genéticos, obesidade, idade, entre outros. 

Neiva explica que o surgimento da doença não ocorre de um dia para o outro. Se esses hábitos que são fatores de risco para diabetes, como alimentação e sedentarismo, forem seguidos diariamente, ao longo de um tempo, “chega um momento em que o pâncreas cansa” e diminui a produção de insulina. Paralelamente, as células também passam a ter dificuldade de absorver grandes quantidades de açúcar do sangue.

A partir dos 42 anos é o momento mais indicado para fazer o exame com regularidade. “No geral, a gente faz o diagnóstico sem a pessoa estar com o sintomas, principalmente quando a gente está falando de adulto caminhando para os 50 anos”.

Isso porque a parcela de pessoas que apresentam os sintomas é baixa. Mas quando existem são necessidade de comer muito, muita sede, urinar frequentemente, além de boca seca e emagrecimento. 

Edição: Leandro Melito

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Metade dos adultos com diabetes tem doenças cardiovasculares, diz pesquisa – Saúde


O diabetes tipo 2 é uma das doenças crônicas mais ligadas a encrencas nas artérias: aumenta em quatro vezes a propensão a infartos e derrames. Ciente disso, a farmacêutica Novo Nordisk conduziu uma pesquisa com mais de 10 mil pacientes de 13 países (incluindo o Brasil) para saber como andava a saúde cardiovascular dessa turma. Por aqui, cerca de metade (43%) dos 912 entrevistados já tinha algum problema cardiovascular preestabelecido.

A aterosclerose, presença de placas de gordura nos vasos sanguíneos que pode ser o estopim para um ataque cardíaco, era o mal mais frequente: atingia 85% desse público. Mesmo que não tivessem doenças cardiovasculares diagnosticadas, 14,5% dos participantes estavam em alto risco de desenvolvê-las.

Tanto o descontrole da glicemia como o perigo ao peito podem ser atenuados com mudanças no estilo de vida e prescrição de alguns remédios. Só que a mesma pesquisa apontou que apenas 17% deles tomavam algum comprimido que diminuía esse risco. Eis um desafio a ser superado entre quem tem diabetes.

  • Injeção para o diabetes ganha versão oral

    Em 2021, veremos nas farmácias comprimidos de semaglutida, medicamento até então só injetável que simula no corpo a ação do hormônio GLP-1 — responsável por regular a liberação de insulina e glucagon no pâncreas, algo crucial ao controle da glicose no sangue. Além do uso oral, outra vantagem da medicação é sua capacidade de modular o apetite e colaborar com a perda de peso.

    Estudos demonstram que ela também ajuda a reduzir o risco cardiovascular. A versão injetável tem os mesmos efeitos, mas muitos pacientes penam para aderir às picadas no longo prazo. Ainda não sabemos quanto vai custar o novo tratamento, criado pela Novo Nordisk.

    Pandemia piorou controle do diabetes

    É o que conclui um estudo com 1,7 mil brasileiros com diabetes publicado no periódico médico Diabetes Research and Clinical Practice. Quase 60% deles relataram alterações na glicemia no período. A mesma taxa de respondentes deixou de se exercitar com frequência e cerca de 40% adiaram consultas de rotina.

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    Professor de física cria novo teste indolor para diabetes – Olhar Digital

    Uma descoberta da Universidade de Newcastle, na Austrália, pode mudar a vida das pessoas diagnosticadas com diabetes. Um professor criou um novo teste que usa a saliva dos pacientes para medir o nível de glicose no sangue, deixando o tradicional teste da picada na ponta do dedo para coletar sangue no passado.

    A invenção do professor de física Paul Dastoor utiliza um dispositivo simples que se vale da incorporação de uma enzima em um transistor sensível à glicose, em uma tira de material eletrônico impresso com tinta.

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    Insulina é necessária para restaurar neurônios responsáveis pelo olfato
    Professor novo teste indolor para diabetes. Imagem: peejhunt (Pixabay)

    “Acredito que vai mudar radicalmente a maneira como pensamos sobre os dispositivos médicos e, em particular, os sensores, porque podemos imprimi-los a um custo incrivelmente baixo”, afirmou o professor Dastoor em um comunicado.

    O novo teste de diabetes pode ainda ajudar na detecção de diversas outras doenças, como a própria Covid-19 ou testes de alérgenos, hormônios e até câncer. Para que ele funcione com as outras doenças, basta que a enzima reagente no transistor seja substituída pela correta.

    Leia também!

    Glic: aplicativo gratuito ajuda diabéticos a controlar a glicemia

    Quem tem diabetes ou conhece alguém que convive com a doença sabe como é difícil manter a taxa glicêmica controlada. A hiperglicemia – quando o nível está muito alto – e a hipoglicemia – quando está muito baixo – são problemas constantes na rotina dos diabéticos.

    Para ajudar os pacientes nessa difícil tarefa, existe um aplicativo gratuito. Estamos falando do Glic, que colhe os registros diários de glicemia, medicamentos e alimentação, e faz a conexão com uma equipe médica parceira da plataforma.

    A ferramenta oferece uma tabela nutricional com mais de 1.500 alimentos para contagem de carboidratos e faz o acompanhamento do uso de medicamentos, além do cálculo da dose de insulina a ser aplicada, considerando a ingestão de gordura relatada pelo usuário.

    Se quiser saber mais informações de como o aplicativo funciona, clique aqui e acesse a matéria completa.

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    Engenheiros biomédicos desenvolvem dispositivo que pode curar a diabetes – Olhar Digital

    Uma equipe de especialistas em diabetes e engenheiros biomédicos da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, e da Universidade Cornell, desenvolveram um implante minúsculo que pode ser capaz de curar a diabetes. As descobertas do estudo foram publicadas esta semana na revista Science Translational Medicine.

    “Podemos pegar a pele de uma pessoa ou células de gordura, transformá-los em células-tronco e depois transformar essas células tronco em células secretoras de insulina”, explicou Jeffrey R. Millman, PhD., professor associado de medicina na Universidade de Washington e um dos coautores do estudo.

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    “O problema é que em pessoas com diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca as células secretoras de insulina e as destrói. Para administrar essas células como uma terapia, precisamos de dispositivos para alojar células que secretam insulina em resposta ao açúcar no sangue, ao mesmo tempo em que protege essas células da resposta imune”, acrescentou.

    Segundo o Medial Xpress, inicialmente os testes foram feitos em camundongos diabéticos que tiveram o dispositivo que possui células secretoras de insulina implantado em seus abdomens. O objetivo do implante é levar em segurança as células que produzam a secreção de insulina, fazendo com que elas consigam fazer o seu trabalho e respondam ao açúcar no sangue, revertendo assim a diabetes, sem a necessidade de medicamentos para suprimir o sistema imunológico.

    Engenheiros biomédicos desenvolvem dispositivo minúsculo que pode curar a diabetes. Imagem: X. Wang et al., Science Translational Medicine (2021)
     
    Engenheiros biomédicos desenvolvem dispositivo minúsculo que pode curar a diabetes. Imagem: X. Wang et al., Science Translational Medicine (2021)

    O dispositivo

    O maior desafio da equipe era produzir um dispositivo seguro e confortável tanto para as células, que precisam estar saudáveis e funcionais, como para a implantação em pessoas com diabetes.

    “O dispositivo, que tem aproximadamente a largura de alguns fios de cabelo, é microporoso – com aberturas muito pequenas para outras células se espremerem. Então as células secretoras de insulina, consequentemente, não podem ser destruídas pelas células imunológicas, que são maiores do que as aberturas”, disse Millman, professor associado de engenharia biomédica.

    “Um dos desafios neste cenário é proteger as células dentro do implante sem deixá-las famintas. Elas ainda precisam de nutrientes e oxigênio do sangue para se manterem vivas. Com este dispositivo, parece que fizemos algo no que você pode chamar de Cachinhos Dourados, onde as células poderiam se sentir dentro do dispositivo e permanecer saudáveis ​​e funcionais, liberando insulina em resposta aos níveis de açúcar no sangue.”

    Vários estudos para o desenvolvimento desse tipo de implantes já foram testados nos últimos anos. Neste projeto, a equipe desenvolveu um tipo de encapsulamento celular integrado de nanofibras, que recebeu o nome de NICE. O objeto carregará células beta secretoras de insulina que foram fabricadas a partir de células-tronco.

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    Resultados

    De acordo com os resultados, as células dentro dos implantes ajudaram a produzir insulina e controlar o açúcar no sangue por até 200 dias, mesmo sem os ratos receberem algum tipo de medicamento para minimizar a ação do sistema imunológico.

    “O dispositivo que usamos nesses experimentos protegeu as células implantadas do sistema imunológico dos camundongos e acreditamos que dispositivos semelhantes poderiam funcionar da mesma maneira em pessoas com diabetes”, afirmou Millman.

    “Os implantes flutuavam livremente dentro dos animais, e quando os removemos após cerca de seis meses, as células secretoras de insulina dentro dos implantes ainda estavam funcionando”, acrescentou ainda Minglin Ma, professor associado de engenharia biomédica em Cornell e coautor do estudo, ressaltando que a parte mais importante dos resultados foram os indícios de que o dispositivo é seguro.

    Apesar dos bons resultados, os especialistas não têm previsão de quando o projeto poderá iniciar testes clínicos em pessoas, mas pretendem continuar trabalhando no desenvolvimento do dispositivo para que o quanto antes alcancem o objetivo.

    Fonte: Medical Xpress

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    Maçã: protege o coração, previne diabetes e fortalece defesas – Terra




    Maçã: protege o coração, previne diabetes e fortalece nossas defesas

    Maçã: protege o coração, previne diabetes e fortalece nossas defesas

    Foto: Reprodução/Pexels / Sport Life

    É provável que você não saiba que tipo de nutriente está oferecendo ao seu corpo toda vez que assalta a fruteira e come uma maçã. Mas, provavelmente, deve saber que a frutinha é uma boa pedida para saciar ou enganar a fome sem que você se entupa de calorias.

    A prova: uma maçã de aproximadamente 100 g possui apenas 65 calorias. Mas a coisa vai muito além disso. Ao comê-la, você está se abastecendo de vitaminas B1, B2, niacina e sais minerais como fósforo e ferro. As vitaminas do complexo B atuam, entre outras áreas, no funcionamento do sistema nervoso, na proteção da pele e do aparelho digestivo. O fósforo mantém ossos e dentes firmes. E o ferro tem papel importante na formação do sangue.

    O que você certamente não imaginava é que a maçã pode ser infinitamente mais útil à saúde. Estudos feitos na Universidade da Flórida (EUA) sugerem que a fruta pode nocautear com total eficácia o colesterol, um dos vilões que conspiram contra o coração. Mérito de dois tipos de nutrientes: os polifenóis e a pectina, fibra solúvel encontrada na sua casca. “A ação da pectina é mais clara do que a dos polifenóis: ela facilitaria a eliminação do colesterol e de outros tipos de gordura por meio das fezes. Já os polifenóis aumentariam a capacidade da bile, fluido produzido pelo fígado, de eliminar tais agentes durante o processo de digestão”, diz Bahram Arjmandi, pesquisador e professor do Departamento de Nutrição, Alimentos e Ciência dos Exercícios, que conduziu a pesquisa. O especialista defende o consumo diário de duas maçãs, para que você tire todo o proveito que a fruta pode realmente proporcionar. Obviamente, você não poderá desprezar a casca em hipótese alguma.

    Menos açúcar

    Segundo o doutor Arjmandi, o poder da pectina da maçã é mais potente na redução do colesterol do que a encontrada em frutas cítricas como a laranja e o limão. Os polifenóis ajudariam, ainda, a combater o aumento das taxas de açúcar no sangue, diminuindo a incidência do diabetes do tipo 2, como indicam outros estudos recentes. O mecanismo é simples: eles inibiriam a atuação de enzimas como a alfa-amilase e a alfaglucose, envolvidas na quebra dos carboidratos, mais especificamente do açúcar,  possibilitando uma maior oferta desse nutriente no sangue. Os polifenóis também fazem com que menos açúcar seja absorvido durante o processo de digestão, por estimularem as células do pâncreas a secretar insulina, o hormônio que retira o açúcar do sangue e o carrega para dentro das células, onde será usado como fonte de energia.

    Há também estudos que indicam que os polifenóis são poderosos antioxidantes, capazes de aumentar em 10% a expectativa de vida. “Eles podem reduzir, por exemplo, o aparecimento de tumores cancerígenos, já que combateriam as mutações e o envelhecimento celulares”, diz Tânia Rodrigues, nutricionista da RG Nutri- consultoria de São Paulo. Existe mais um motivo para você comer maçã com casca: além de se abastecer de fibras e aproveitar os benefícios da pectina, a “pele da maçã” também é recheada de ácido ursólico. Amplamente empregado na medicina, ele pode ser uma arma no combate dos sintomas alérgicos e até no tratamento da leucemia.  Mais recentemente, uma pesquisa feita em ratos por cientistas da Universidade de Iowa (EUA) acenou para a possibilidade de o ácido ursólico ser um elemento capaz de ajudar na recuperação muscular e, mais uma vez, na eliminação do colesterol.

    Mais imunidade

    Ao longo dos anos, antes mesmo de se­rem levantados indícios desses poderosos benefícios, a maçã sempre foi celebrada como boa fonte de fibras solúveis – aquelas que se misturam à água no organismo. Entre as maravilhas creditadas a tais fibras es­tão a capacidade de regular o intestino e até de prevenir doenças cardíacas. Há estudos que associam o consumo das fibras solúveis à redução de 30% nos problemas do coração. Uma única maçã é responsável por 10% da quantidade diária recomendada, propagada pela Or­ganização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, devemos con­sumir entre 25 g e 30 g de fibras to­do santo dia.

    Um estudo, também feito em ratos, apontou a capacidade de elas  reduzirem as inflamações e fortalecerem o sistema imunológico. Os roedores alimentados com fibras solúveis se recuperaram duas vezes mais rapidamente de um quadro de infecção do que aqueles que consumiram alimentos ricos em fibras insolúveis. O sistema de defesa dos animais que fizeram dieta à base daquelas fibras melhorou consideravelmente em apenas seis semanas.

    A descoberta cria expectativas para que o mesmo princípio funcione nos seres humanos. Acredita-se que as fibras solúveis façam com que as células doentes se recuperem de processos inflamatórios por causa do aumento de uma proteína chamada interleucina-4 , que funcionaria como um anti-inflamatório.

    O próximo passo é saber até que ponto as fibras solúveis poderiam ser úteis em casos de obesidade associada ao diabetes e a problemas cardíacos, que não deixam de ser processos inflamatórios.

    Pelo andar da carruagem, a maçã parece ser mesmo um excelente elixir para o coração, uma espécie de anti-inflamatório natural para o corpo em geral, uma poderosa combatente do diabetes e, quem diria, alimento de primeira para  os músculos crescerem e aparecerem. Da próxima vez que você comer uma maçã para espantar a fome e economizar calorias, lembre-se de que o lucro pode ser bem maior do que se imaginava. O que é muito animador.

    Dieta inteligente

    Você luta contra a balança e quase sempre é vencido pela fome sem fim que o faz comer mais do que deveria nas refeições? Aqui vai uma sugestão do especialista em nutrição da Universidade da Flórida, Bahram Arjmandi: coma uma maçã uma ou duas horas antes do almoço ou do jantar. “Ela produzirá uma sensação de saciedade que fará você comer menos depois”, diz ele.

    Mas isso não é exclusividade da maçã. Todos os alimentos ricos em fibras solúveis como a pectina, a mucilagem e a betaglucana podem dar uma ajudazinha no seu processo de emagrecimento.

    A laranja, a ameixa e a goiaba que o digam. “Mas é importante lembrar que a fibra isolada, inclusive a da maçã, pouco pode fazer, principalmente quando o objetivo é normalizar o trânsito intestinal, se não houver uma ingestão adequada de água e sucos”, diz Adriana Ávila, nutricionista do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo. “Afinal, o meio líquido é que

    potencializa a ação das fibras”.

    Viva Bem com Diabetes

    Novos estudos mostram que diabetes é mais uma complicação pós covid-19 – UOL

    A estudante universitária Giselle, de 19 anos, procurou a emergência de um conceituado hospital do Rio em meados de janeiro porque se sentia muito mal. Andava sonolenta, cansada, com falta de apetite e ainda apresentava uma forte dor abdominal. Os médicos que a atenderam trataram a dor, mas não conseguiram chegar a nenhum diagnóstico específico.

    Alguns dias depois, Giselle, que prefere não revelar o sobrenome, voltou à emergência com os mesmos sintomas. Depois de uma bateria de exames, o diagnóstico: um quadro agudo de diabete do tipo 1. Os médicos resolveram investigar por que uma pessoa jovem, sem histórico da doença, apresentou um quadro tão grave. A conclusão foi que a manifestação seria decorrente de um caso brando de covid-19, no início do ano.

    Novos estudos vêm mostrando que a diabete é mais uma complicação a ser adicionada à lista dos danos causados pela covid-19. O que os cientistas ainda não sabem é se o vírus potencializa um problema que já estava em desenvolvimento ou se é a principal causa.

    “A relação pode ser bidirecional, ou seja, é possível que, em algumas situações, a covid venha a aumentar o risco de surgimento de casos de diabete, especialmente da cetoacidose diabética, uma complicação mais aguda”, afirma a professora Melanie Rodacki, do Departamento de Clínica Médica, Nutrologia e Diabete da UFRJ.

    Uma análise feita por cientistas do Canadá, da Índia e da Austrália, publicada em novembro na revista Diabete, Obesidade e Metabolismo, revela que 14% dos internados com quadros graves de covid-19 desenvolveram diabete. Os cientistas reuniram dados de oito estudos, com um total de 3,7 mil pacientes.

    Há possibilidade de que a diabete já fosse se desenvolver ou que o tratamento com corticoide tenha provocado a doença. Mas, dizem os especialistas, um efeito direto da covid também deve ser considerado. Os pesquisadores ainda não sabem como a covid deflagraria a diabete 1 e 2, nem se os casos são temporários ou permanentes.

    Outro estudo, feito na Alemanha e publicado no último dia 5 na Nature, demonstrou que as células beta do pâncreas (que produzem insulina) estavam expressando proteínas do novo coronavírus. “Nosso estudo identificou o pâncreas como um alvo da infecção pelo SARS-CoV-2, sugerindo que a infecção das células beta pode contribuir para problemas metabólicos observados em pacientes com covid-19”, afirmaram.

    “Tudo com a covid ainda é muito novo, estamos diante de uma doença nova e aprendendo muita coisa”, diz a presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Cíntia Cercato. “Mas, basicamente, estamos vendo essa relação bidirecional.”

    Crianças

    Médicos de cinco hospitais de referência para atendimento de covid em crianças no Rio notaram também um aumento nos casos de diabete. Agora, as instituições estão reunidas para um levantamento do número de casos de 2020. Querem compará-los com os registros dos anos anteriores.

    “A pesquisa está em andamento, então não tenho ainda muita informação”, explicou a especialista Renata Szundy Berardo, do Hospital dos Servidores do Estado, coordenadora da pesquisa. “Mas houve uma percepção de aumento do número de casos (de diabete) em todos os centros de referência.”

    Para Melanie Rodacki, da UFRJ, respostas definitivas só virão a longo prazo. “A gente vai ter de acompanhar todos esses pacientes a longo prazo, ver a incidência de diabete em todo mundo que teve covid.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Viva Bem com Diabetes

    “Cortei tudo”: por medo, ao descobrir diabetes, pacientes exageram na dieta – VivaBem

    A aposentada Maria da Penha Matias, 77, descobriu que era diabética logo após a perda da mãe, em 2012. “Comecei a emagrecer, mas pensei que fosse pelo estresse. Há algum tempo estava evitando açúcar e mantinha uma alimentação saudável, quando vi o exame com 350 mg/dl de glicemia, fiquei apavorada”, lembra.

    Sempre preocupada com a saúde, ela procurou imediatamente uma médica, que passou dieta e um medicamento para o controle da doença. Só que seu desespero para diminuir níveis de açúcar no sangue foi tanto, que exagerou nos cuidados. “Como a nutricionista falou que carboidrato aumentava a glicose, cortei todos, radicalmente. Evitava até ir nas festas para não ver salgadinhos. Não comia nem doce diet. Comecei a ficar sem força e a ter hipoglicemia.”, diz.

    A endocrinologista Claudia Pieper, membro do Departamento de Educação em Diabetes da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), explica que os aspectos emocionais de não aceitação do diabetes, somados à necessidade de uma constante vigia em relação à dieta podem promover um quadro de alteração no comportamento alimentar, levando a uma restrição na quantidade e qualidade de determinados tipos de alimentos.

    Pessoa medindo glicemia, diabetes - iStock - iStock
    Imagem: iStock

    Perigo de transtorno alimentar

    Pieper alerta que pré-adolescentes e adolescentes que têm diabetes tipo 1 apresentam cerca de 2,5 vezes mais risco de desenvolver um transtorno alimentar, quando comparados ao grupo da mesma faixa etária que não apresenta a doença.

    Neste caso, o mais frequente seria a bulimia nervosa, geralmente relacionada a deixar de tomar ou diminuir a dose de insulina com o objetivo de perder peso. Este já é considerado um comportamento de “purgação” de calorias, pois quando a glicemia fica elevada, causa glicosúria, que é a perda de glicose na urina. Não seria necessário apresentar vômitos ou uso de laxantes, como na bulimia “tradicional”, explica.

    A especialista ressalta que o fundamental é ter equilíbrio e não abusar das dietas restritivas, como se elas fossem a salvação para qualquer tipo de problema de saúde. “Em pessoas que não apresentam diabetes, o excesso de restrição de alimentos que contenham açúcar ou mesmo do próprio açúcar pode levar a um mecanismo compensatório depois. Jejuns prolongados ou dietas muito restritivas podem desencadear comportamentos de compulsão alimentar”, adverte.

    Ela alerta que todos os alimentos após a digestão se transformam em glicose. Então, é muito difícil a pessoa ficar com hipoglicemia, se estiver ingerindo uma alimentação balanceada com a quantidade adequada de carboidratos, fibras e gorduras para a sua faixa de idade, peso e atividade física.

    Fruit and vegetable salad and glucose meter with tape measure, concept of diabetes, slimming and healthy nutrition - iStock - iStock
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    Saúde mental também é importante

    O medo está por trás de grande parte das atitudes drásticas e errôneas tomadas após o diagnósticos. A advogada Sandra Eleotério, 60, confessa que nem sempre consegue manter o equilíbrio emocional ao conviver com o diabetes. Com vários casos da doença na família, ela considera o estresse um ponto fundamental para esse descontrole, mesmo praticando hábitos saudáveis.

    “Um médico me falou que a questão da emoção não influencia, mas é conversa fiada. Um pesadelo, um dia triste ou aborrecimentos e lá vai o mostrador de glicose com 200, 250 ou 300. Apesar da dieta, do Tai Chi Chuan, das caminhadas, começa a neura, fecho a boca, confiro a glicose mais do que o necessário, rezo para o mostrador reduzir os números”, diz ela.

    Segundo a psicóloga Glaucia Margonari Bechara Rodrigues, coordenadora do Departamento de Psicologia da SBD, o medo, as informações equivocadas e a rigidez extrema acabam posicionando a pessoa com diabetes a comportamentos excessivos de checagem, provocando questionamentos se o tratamento está sendo mesmo seguido ou se está fazendo algo de errado. “‘Este medo inicial até compreender o que está acontecendo e se adaptar ao novo diagnóstico é esperado e leva um tempo. A saúde mental e a informação correta pode tirar alguém do sofrimento e transformar o futuro”.

    O diagnóstico de uma doença crônica muda vidas, porque corpo e mente precisam ser trabalhados para não exceder os novos limites impostos pelo distúrbio. “Por esse motivo é fundamental se conectar com o próprio corpo, reorganizar as prioridades”, diz a psicóloga.

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    Em Pernambués, moradoras relatam os desafios de controlar a diabetes na pandemia – Agência Mural de Jornalismo das Periferias

    A cozinheira Cássia Muniz, diagnosticada com diabetes tipo 1, faz exercícios em casa e evita sair | Gabrielle Guido/Agência Mural

    As primeiras notícias sobre a chegada da pandemia da Covid-19 ao Brasil trouxeram receio para algumas moradoras diagnosticadas com diabetes em Pernambués. O bairro é considerado a região com maior número de casos em Salvador, com 3.786 registros, segundo levantamento da Secretaria Municipal da Saúde.

    A cozinheira Cássia Muniz, 49, diagnosticada com diabetes tipo 1, ligou o alerta ao saber do vírus. “Fiquei muito preocupada. Senti medo, de certa forma, porque as pessoas ficavam falando: ‘Você é de risco, você é de risco’”. 

    Para a aposentada Elisete Ferreira, 61, diagnosticada com diabetes tipo 2, o auxílio do filho tem sido essencial durante a quarentena. “Eu me sentia segura dentro de casa. Meu filho tinha cuidado comigo. Quando chegava da rua, ele usava máscara, usava luva, tirava a roupa”, diz.

    Já Reijane Lima, gestora de recursos humanos, 28, conta que foi surpreendida com uma gravidez. “Foi um susto descobrir a gestação no período da pandemia”. E disse ter redobrado os cuidados. 

    De olho nos altos índices de casos na região, as três moradoras afirmam ter evitado ao máximo sair de casa. “[Uso] máscara e álcool gel. Evito entrar em mercado cheio, por sinal, no Forte, tem meses que não entro”, diz Cássia.

    A aposentada Elisete Ferreira, com diabetes tipo 2, dá preferência às frutas no lanche e evita os carboidratos simples | Moisés A. Neuma/Agência Mural

    Segundo o comunicado da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), as pessoas com a doença fazem parte dos segmentos da população com maior possibilidade de desenvolver complicações, caso adquiram a Covid-19.

    Para a redução dos riscos, a pessoa com diabetes precisa ter adesão ao tratamento e seguir as orientações médicas para o bom controle do diabetes, como explica a nutricionista, professora da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e educadora em diabetes, Viviane Sahade.

    “Os pilares do tratamento do diabetes são: alimentação, prática da atividade física, o uso regular dos medicamentos prescritos, sono adequado e equilíbrio emocional. Esses cinco pilares se aplicam não só ao diabetes, mas para todas as outras doenças e a alimentação vai permear o tratamento independente de estar no momento de pandemia ou não”, afirma.

    Cássia conta que a pandemia não alterou sua rotina de cuidados com a doença. ”Eu malho para ganhar massa muscular e faço também atividade física. Faço alongamento, faço dança em casa, nada em academia”. 

    Ao longo da semana, com o uso do glicosímetro, a cozinheira monitora o índice antes e duas horas depois das refeições, com orientação médica. 

    “Tenho feito a monitorização em casa, e o meu açúcar, graças a Deus, está bem controlado, com as atividades físicas que faço”, relata Cássia.

    Durante o período da gestação, Reijane lembra que aumentou o número de vezes em que fez o controle da glicose, além de ter modificado o plano alimentar. “Diminui a quantidade de carboidratos que comia, mas tudo com orientação médica. Tiveram de ser feitas algumas mudanças de dosagens na insulina”, conta.

    As pessoas com diabetes precisam acompanhar as taxas de glicose para que o tratamento seja eficiente, segundo a nutricionista. “Todo indivíduo diabético, seja ele DM1 ou DM2, precisa fazer a glicemia capilar, porque é essa glicemia que vai indicar se o paciente está dentro das metas estabelecidas. Estando fora das metas, esse paciente precisa saber como corrigir”, explica Viviane.  

    Com o nascimento da filha, Reijane reafirma a importância das medidas de precaução.  “Valeu a pena ter me dedicado mais ainda por conta de Alicia. Agora, independente, se eu não estivesse grávida, ia correr atrás do mesmo jeito, para me manter saudável na pandemia”, complementa.

    Já a aposentada Elisete conta que segue a dieta alimentar, usa os medicamentos rigorosamente, mas não monitorava a glicose, porque acabou de comprar o glicosímetro e as fitas. “Soube que apenas pacientes que usam insulina têm direito as fitas do SUS”. 

    Segundo a lei Federal 11.347/2006, as pessoas com diabetes podem receber gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde, medicamentos e materiais para a monitorização da glicose. Já a portaria 2.583/2007, no artigo 2, limita o acesso dos insumos aos pacientes que são dependentes da insulina. 

    Com o glicosímetro, pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 devem monitorar a glicose para controlar o diabetes | Gabrielle Guido/Agência Mural

    Desde o início da pandemia, a aposentada revela que não recebia acompanhamento médico. Mas quando retornou ao atendimento na Unidade de Saúde da Família (UBS), de Pernambués, soube dos serviços oferecidos para os pacientes com diabetes. “Eu falei com a médica. Vou ligar para agendar o dia da consulta para levar os exames”, conta Elisete, que também fará uma consulta com a nutricionista.

    De acordo com a informação disponível no site da Secretaria de Comunicação, da Prefeitura de Salvador, de 2019, 28.695 pessoas com diabetes estão cadastradas para acompanhamentos nas Unidades de Saúde da Família. 

    Diabetes e a emoção

    O controle do diabetes também pode ser influenciado pela saúde emocional. As mudanças na rotina, provocadas pelo Covid 19, podem impactar na saúde mental. Segundo o livro Autocuidado e Diabetes em tempos de COVID-19, da SBD, o comportamento que provoca o estresse pode alterar a glicemia. 

    “O diabetes, como qualquer outra doença, sofre influência de fatores psicológicos. Os hormônios secretados na reação de estresse influenciam a taxa glicêmica. Dessa forma, mesmo tomando insulina, uma reação de estresse pode elevar a glicemia”. 

    Para a psicóloga Catiane Ferreira das Neves, a pandemia pode gerar consequências como a ansiedade. “Existem o medo e a preocupação em contrair o vírus e com ele as possíveis complicações físicas. Esse medo gera um estado de alerta contínuo e provoca ansiedade”. 

    Por isso, a psicóloga recomenda uma atenção maior com a saúde emocional. “Os impactos da pandemia são muitos, mas investir em nossa saúde mental nos ajuda a ressignificar essa experiência e convoca a nos reinventar”, complementa. 

    Para Elisete, a prática da respiração traz calma para os dias agitados. “Isso me relaxa muito. Fechar os olhos e respirar. No final da tarde, eu fico na minha laje, dá para ver a paisagem, o céu. Eu gosto de ficar lá”, diz.

    Ao longo do período de isolamento, Cássia conta que a música trouxe bem-estar. “A música é o dia todo, todo o dia; depois das minhas orações. É uma forma de não ficar pensando besteira”. 

    A dança também tem trazido prazer para os dias de Cássia. “Além de ouvir música, dançar também. Meu pagode, arrocha, cantando e feliz, porque a vida é assim, né? A gente não pode ficar presa ao que não nos faz bem. A gente tem que aceitar até o dia que Deus quiser, porque uma hora vai acabar”.

    Rosana Silva

    Jornalista, correspondente de Pernambués/Cabula em Salvador, BA, desde 2020. Tem trabalhado em produções voltadas para arte, cultura e comunicação. Adora um cafezinho com cuscuz, um bom solo de violão e a luminosidade da cidade do São Salvador da Bahia.

    Salvador/BA

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    Estudo aponta que quadros de diabetes tipo 2 aumentam risco de demência – Estado de Minas

    (foto: Pixabay)
    (foto: Pixabay)

    O diabetes tipo 2 é uma doença crônica e progressiva, que pode levar o paciente à perda de audição, cegueira, doenças cardíacas, derrame, insuficiência renal e danos vasculares tão graves que exigem amputação de membros. Porém, novos estudos apontam, também, para uma associação de quadros da doença com casos de demência – deterioração das capacidades mentais com perda de funções cerebrais, como memória e discernimento.
    De acordo com dados colhidos por universidades europeias, cada caso de diabetes está associado a um risco 24% maior de demência cinco anos depois do diagnóstico em comparação com pessoas sem a doença. E, quanto mais novo for o paciente quando descobrir a doença, maior risco de sofrer com complicanções demenciais.

    Nesse cenário, um paciente de 70 anos com diabetes há menos de cinco anos tem risco 11% maior de demência, enquanto que um paciente com diagnóstico por volta dos 65 anos tem 53% de chance de desenvolver demência. 

    Um diagnóstico aos 60 anos tem risco 77% maior. Uma pessoa com diagnóstico de tipo 2, entre 55 e 59 anos, tem mais de duas vezes o risco de demência na velhice em comparação a alguém na mesma faixa etária sem diabetes, aponta a pesquisa. 
    Esses índices são observacionais, ou seja, foram colhidos com base em um rastreamento de diagnóstico, com acompanhamento e exames clínicos a cada quatro ou cinco anos –, de cerca de 10.095 pessoas sem a doença, entre 35 e 55 anos, por 32 anos. Portanto, os dados não podem provar se, de fato, o diabetes pode causar os quadros clínicos de demência.  
    Apesar disso, trata-se de uma pesquisa de longa duração e com grande população, onde fatores que afetam o risco de demência foram controlados, como raça, educação, problemas cardíacos, derrame, tabagismo e atividade física, e a ligação diabetes-demência persistiu. Os dados apontam para um registro, ao longo da pesquisa, de 1.710 casos de diabetes tipo 2 e 639 de demência. 
    E não para por aí. Rodrigo Moreira, vice-presidente do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e metabolia (SBEM), aponta que “artigos publicados mostram que o diabetes aumenta em 73% o risco de qualquer forma de demência, em 56% o risco de Mal de Alzheimer e em 127% o risco da demência vascular, que é aquela demência relacionada à aterosclerose, ao entupimento dos vasos do cérebro”. 

    “Não podemos dizer que uma pessoa é mais predisposta à demência. Só podemos dizer que os pacientes com diabetes, de uma maneira geral, têm um risco maior de desenvolver Alzheimer e demência do que um paciente sem diabetes.”

    Rodrigo Moreira, vice-presidente do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e metabolia (SBEM)

     

    Mas por que essa relação existe? Como o diabetes pode influenciar no aparecimento de casos de demência? “Todos nós sabemos que o diabetes tem uma série de complicações. Quando falamos em diabetes, as pessoas pensam no pé diabético, no risco de amputação, na perda de visão, na retinopatia diabética, na diálise. E, nesses últimos meses, vimos que o diabetes é um fator de risco também para a COVID-19.” 
    “Isso mostra que o diabetes interfere em outras doenças, inclusive na demência de maneira geral. Então, temos, nos últimos 10 anos, uma série muito grande de artigos científicos que colocam o diabetes como um fator de risco para Mal de Alzheimer e para formas de demências de uma maneira geral. Temos uma série de dados bem interessantes que mostram isso. E é muito interessante a fisiopatologia do diabetes.” 
    Isso porque, segundo ele, o diabetes tipo 2 é caracterizado pela resistência à insulina, isto é, a insulina não funciona direito. Nesse cenário, tem-se também os neurônios que formam a memória e precisam da insulina funcionando bem. Então, a resistência à insulina, que é a base fisiopatológica do diabetes, também é a base fisiopatológica da demência.

    “Não podemos dizer que uma pessoa é mais predisposta à demência. Só podemos dizer que os pacientes com diabetes, de uma maneira geral, têm um risco maior de desenvolver Alzheimer e demência do que um paciente sem diabetes”, justifica Rodrigo Moreira.  

    CUIDE-SE! 

    A fim de evitar complicações mais sérias e rastrear o quanto antes sequelas da doença, como o caso da demência, o vice-presidente da SBEM recomenda que pacientes diagnosticados com diabetes façam triagens, ou seja, exames de rotina para identificar agravamentos de saúde em razão da doença precocemente.  
    “É importante fazer exame de olho uma vez ao ano para ‘pegar’ a retinopatia logo que ela apareça e examinar os pés uma vez ao ano para identificar as alterações, por exemplo. E, hoje, existe a recomendação de que, no momento do diagnóstico de diabetes, e uma vez a cada dois ou três anos se faça testes para triar a demência. É importantíssimo tratar bem o diabetes e há novos medicamentos sendo desenvolvidos para o diabetes, que tem mostrado benefícios sobre a cognição e o risco de demência.” 
    No Brasil, segundo Rodrigo Moreira, existem algumas opções de medicações, nesses casos. “Esse tipo de medicamento está cada vez mais aparecendo em estudos, sugerindo que, além de ter o benefício de melhorar o controle da glicose, parece ter benefício no retardo da progressão do Mal de Alzheimer e das formas de demência”, diz. 
    Além disso, alimentação equilibrada e prática de atividades físicas são ótimos aliados no controle do diabetes em si. Ainda, o monitoramento dos níveis de açúcar no sangue pode ajudar no controle da doença. 
    *Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram 

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    Fator de risco da Covid, diabetes também pode desencadear infecções diversas – Folha de Londrina

    O diabetes mellitus, ou somente diabetes, é uma das comorbidades elencadas pelo Ministério da Saúde como prioridade na vacinação contra a Covid-19, somando-se a outros fatores de risco, como pressão alta, câncer, doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e doenças renais crônicas.

     

    Fator de risco da Covid, diabetes também pode desencadear infecções diversas
    Gustavo Carneiro – Grupo Folha 12/05/2021

     

    Segundo a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), há mais de 16,8 milhões de pessoas com diabetes no Brasil, sendo o quinto no mundo, atrás apenas da China (115,5 milhões), Índia (70 mi), Estados Unidos (30 mi) e Paquistão (18 mi). A entidade estima que metade dessa população brasileira portadora do diabetes desconheça a presença da doença. Ainda de acordo com a SBD, de 1990 a 2017 o diabetes saltou da 11ª para a terceira posição no ranking de mortalidade a cada 100 mil habitantes, em ambos os sexos, e envolvendo tanto doenças transmissíveis, maternas e neonatais quanto doenças crônicas não transmissíveis.

    Para entender a gravidade da doença e justificar sua inclusão como grupo prioritário na imunização contra o coronavírus, a FOLHA conversou com a endocrinologista e metabologista Claudia Montemor, de Londrina. Segundo ela, comparando pacientes com e sem diabetes, os portadores dessa condição crônica mostraram ser mais suscetíveis a infecções em geral.

    No entanto, a endocrinologista complementou que a associação entre diabetes e um pior quadro de infecção viral não é algo inesperado. “A hiperglicemia prejudica o controle do vírus circulante no sangue com potencial de agravamento de morbidade e mortalidade”.

    A endocrinologista  fez um paralelo com a gravidade de diversas infecções. “Poucas vezes vi ser discutido, mas quem possui diabetes tem cerca de duas a três vezes a mais chance de evoluir para dengue hemorrágica. Mortalidade por influenza também é maior, assim como outras pneumonias virais e bacterianas, e infecções urinárias. Doenças tropicais como Chagas também são mais comuns em quem tem diabetes. Mucormicose (infecção por bolores), gangrena de Fournier (bactérias na região genital) também. Essa discussão sobre diabetes e infecções deve durar e ser lembrada muito além da atual pandemia”, ressaltou.

    MEDICAMENTOS

    Para Montemor, é preciso também ter cautela com relação aos medicamentos. “Aqueles pacientes diabéticos que já vinham com medicamentos em uso podem seguir mesmo em caso de infecção para Covid. É preciso lembrar que interrupção de medicações pode piorar a glicemia, assim como uso de corticoides, que apesar de eficazes nesse combate às inflamações, podem provocar o aumento da glicose e também bloquear a produção de insulina pelo pâncreas, o que causa alterações no organismo”, pontuou. Por outro lado, também deve-se ter cautela na rigidez do controle glicêmico. “A taxa de açúcar no sangue abaixo do normal (hipoglicemia) também pode levar a um aumento da mortalidade”.

    A endocrinologista explicou que o controle da taxa de açúcar no sangue contribui para manter elevada a imunidade, seja por meio do uso adequado da insulina, medicação oral, alimentação equilibrada ou exercício físico. “A baixa imunidade está ligada à elevação do açúcar no sangue e não à falta de produção de insulina. A pessoa com diabetes que está muito acima do peso também pode ter a imunidade afetada por ter maior inflamação desenvolvida por este excesso de peso”, explicou.

     

    Segundo a SBD, no Brasil são cerca de 16,8 milhões de pessoas com diabetes
    Segundo a SBD, no Brasil são cerca de 16,8 milhões de pessoas com diabetes | iStock

     

    Montemor comentou ainda que a faixa etária da população com 60 anos ou mais, que já tenham complicações além do diabetes – como hipertensão – segue sendo um motivo de preocupação, independente se o diabetes for tipo 1 ou 2. Ela alerta que o contrário também chama a atenção da classe médica: a infecção pelo coronavírus como fator de risco para o aparecimento do diabetes ou a piora de um quadro já existente.

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    – Vacina contra Covid: Londrina libera cadastro para pessoas de 55 a 59 anos

    SENSAÇÃO DE UM NOVO RESPIRAR

    Aos 59 anos, a massoterapeuta Rosana Duarte, moradora do Jardim Nações Unidas (zona leste de Londrina), foi diagnosticada com diabetes tipo 2 há cerca de 20 anos. Após um pico de pressão alta – segundo ela gerada por estresse na vida pessoal – fez com que os exames no hospital lhe indicassem a existência da doença. “Não sentia nada. Uma doença muito silenciosa”, contou.

     

    Rosana Duarte: "A vacina me deu um ganho de vida em meio a tanto medo"
    Rosana Duarte: “A vacina me deu um ganho de vida em meio a tanto medo” | Arquivo Pessoal

     

    Ao longo dos anos e, nas suas palavras “sem o devido cuidado”, o diabetes custou sua visão. “Foi muito triste. E isso me conscientizou em ter que mudar a rotina. Não é fácil cuidar, mas estou tentando”, afirmou. Hoje, ela diz tomar dois tipos de insulina e tem o cuidado redobrado com a ingestão de carboidratos.

    Recebendo a primeira dose da vacina contra Covid há cerca de duas semanas, a sensação foi de “um novo respirar”. “Como já tinha feito uma cirurgia no coração, foi muito assustador tudo isso. Fiquei muito tempo confinada. A vacina me deu um ganho de vida em meio a tanto medo. Já me reequilibrei emocionalmente e fisicamente estou bem. Sei que a pandemia não acabou, e acredito que teremos que manter esses cuidados por um bom tempo”, concluiu.

    TOMANDO CUIDADOS 

    Moradora da Gleba Palhano, a empresária do ramo alimentício Simone Estela Lopes de Arruda foi diagnosticada com diabetes tipo 1 há uma década. Aos 47 anos, ela conta que o histórico familiar a fez se prevenir para que a doença não atingisse um nível extremo. “A pandemia não alterou meu dia a dia, já que faço o tratamento há muito tempo, sempre tomando os cuidados em relação à comida e nunca esquecendo dos remédios”.

     

    Simone Estela Lopes de Arruda: medidas para que a pandemia não alterasse o dia a dia
    Simone Estela Lopes de Arruda: medidas para que a pandemia não alterasse o dia a dia | Arquivo Pessoal

     

    Ela relata à FOLHA que contraiu a Covid e com isso seu nível de diabetes aumentou. “Mantive a medicação, e depois do período de quarentena, o nível se estabilizou. Tomei a primeira dose no último dia 26 de maio e mesmo assim não me sinto totalmente segura em flexibilizar nenhuma medida de combate ao coronavírus”.

    CONTRAINDICAÇÕES

    Segundo a médica Claudia Montemor, as contraindicações à vacina contra Covid-19 de pessoas com diabetes são as mesmas da população em geral: alergia grave aos componentes da vacina, febre ou doença crônica intensificada. “Infecção atual por Covid ou outra situação deve ser adiada a vacina”, indicou.

    Ela completou informando que em crianças ainda não há estudos suficientes para indicação da vacina e gestantes devem ser avaliadas com seu obstetra. Ainda no caso das gestantes,  observou  a endocrinologista, durante a gravidez pode ocorrer um enfraquecimento no sistema imunológico, devido a alterações hormonais, sendo necessário ter atenção redobrada para evitar problemas como resfriados, gripes e infecções urinárias. “É fundamental um controle muito melhor também das glicemias, que deverão ser medidas com maior frequência também para o bem-estar da mãe e do bebê”.

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    Casos de diabetes entre crianças aumentaram durante a pandemia, mostram estudos – Crescer


    Dois estudos, conduzidos nos EUA, descobriram que a incidência de diabetes tipo 2 em crianças aumentou durante a pandemia da covid-19. As pesquisas – uma de Washington, DC e a outra de Baton Rouge, Louisiana, foram apresentadas na 81ª Sessão Científica da American Diabetes Association (ADA), segundo o site de notícias médicas Medscape.

    Ainda de acordo com o Medscape, ambos estudos revelaram aumento nas taxas de hospitalização por diabetes tipo 2 entre jovens em 2020, quando comparadas com as taxas de 2019. Os pesquisadores notaram também maior gravidade dos casos.

    diabete glicose criança (Foto: thinkstock)

    Diabetes em criança (Foto: thinkstock)

    “Embora não possamos avaliar a causa do aumento do diabetes tipo 2 a partir de nossos dados, essas disparidades sugerem que os efeitos indiretos das medidas de distanciamento social, incluindo o fechamento de escolas e o desemprego, estão sobrecarregando as comunidades carentes. O medo de procurar atendimento médico durante a pandemia também pode ter contribuído “, disse ao Medscape o endocrinologista pediátrico Brynn E. Marks, do Children’s National Hospital em Washington, DC, responsável por um dos estudos.

    De acordo com informações da CNN, o outro estudo, realizado pelo Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, de Louisiana, notou que a taxa de internações de crianças por diabetes tipo 2 foi de 0,27% – ou 8 casos em 2.964 internações, no período entre março e dezembro de 2019. No mesmo período de 2020, a taxa saltou para 0,62% – 17 casos em 2.729 hospitalizações. 

    O autor principal desse estudo, Dr. Daniel S. Hsia, disse ao Medscape: “A taxa de incidência de diabetes tipo 2 em crianças já estava aumentando antes da pandemia. Embora possa haver um breve nivelamento conforme as crianças forem recebendo assistência médica regular e voltando para a escola, eu acredito essas taxas continuarão a aumentar, especialmente considerando que as taxas de obesidade infantil não estão melhorando”. A diabetes tipo 2 é o tipo mais comum e está associada à obesidade, dieta inadequada e falta de exercícios.

    As crianças que receberam atendimento para diabetes tipo 2 em 2020 tiveram sintomas mais graves do que as admitidas em 2019, disse o Dr. Hsia. No ano passado, os jovens apresentaram maior nível de açúcar no sangue e sinais de desidratação – causada quando o corpo tenta se livrar do excesso de glicose ao urinar, segundo a CNN.

    Os casos de diabetes tipo 1 em crianças também têm demonstrado aumento. A Dra. Elaine Apperson, chefe da divisão de endocrinologia pediátrica da Prisma Health, na Carolina do Sul, disse à emissora local WSPA que a tendência de aumento de casos é preocupante. “De 2019 a 2020, vimos um aumento de 64% em nossos pacientes com diabetes de todos os tipos. Direi que nossos pacientes do tipo 1 também aumentaram dramaticamente”, constatou. Com a diabetes tipo 1, o corpo produz pouca ou nenhuma insulina. Embora a diabetes não tenha cura, a doença pode ser controlada. 

    O aumento no Brasil

    Segundo Felipe Lora, endocrinologista pediátrico do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, também houve aumento no número de crianças atendidas com diabetes tipo 1 durante a pandemia. “Em atendimentos no pronto-socorro do Hospital Sabará, por exemplo, tivemos um aumento proporcional de 80% nos casos de diabetes”, relatou à CRESCER. 

    O médico explica, no entanto, que esse aumento não reflete o número de novos casos da doença. “Entendemos que isso se deva mais à demora para procurar o pronto-socorro, muitas vezes por pacientes já diabéticos. Não são necessariamente casos novos”, conta. “Os casos novos são internados, e olhando o número de internações, o aumento foi de aproximadamente 20%”.

    Lora explica ainda que é comum que pessoas que contraíram alguma infecção, não necessariamente a covid-19, passem a apresentar quadro de diabetes tipo1. “Esse tipo ocorre devido a uma inflamação no corpo, e mesmo antes de a covid-19 existir, era comum que pessoas que apresentaram algum quadro infeccioso desenvolvessem a doença. Isso porque as infecções mexem na inflamação do corpo, o que muitas vezes acaba dificultando que o pâncreas produza insulina”, diz o médico.

    Há, no entanto, a possibilidade de que o novo coronavírus realmente aumente as chances de diabetes. “Falando especificamente sobre a covid-19, já sabemos que ela usa um receptor para entrar nas células que existe no pâncreas. Então, na teoria, ela poderia ter alguma ação desregulatória da atividade do pâncreas, e com isso facilitar o aparecimento da diabetes tipo 1”, teorizou o médico. 

    O especialista contou ainda que há casos em que a doença chegou a regredir depois de um tempo. “Nós temos um caso de um adolescente que teve covid-19 cinco dias antes e chegou com um quadro grave de diabetes. Mas depois ele melhorou muito e o quadro regrediu. Não se sabe, porém, se ele vai voltar a apresentar diabetes em algum momento”, disse.

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    Viva Bem com Diabetes

    Período reprodutivo de mulheres com diabetes tipo 1 é menor durante a vida – Revista Galileu


    Mulheres com diabetes tipo 1 podem apresentar maior tendência para desenvolver quadros de menopausa precoce, além de períodos reprodutivos mais curtos e menarca retardada, sugere estudo (Foto: Pinterest)

    Mulheres com diabetes tipo 1 podem apresentar maior tendência para desenvolver quadros de menopausa precoce, além de períodos reprodutivos mais curtos e menarca retardada, sugere estudo (Foto: Pinterest)

    Além de regular os níveis de glicose no sangue, a insulina desempenha um papel fundamental na regulação da função reprodutiva das mulheres. No entanto, pouco se sabe sobre como a deficiência desse hormônio pode afetar o ciclo natural da menopausa, que geralmente acontece entre 45 e 55 anos.

    Um estudo publicado no último dia 3 de março no periódico Menopause, da Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS, na sigla em inglês), traz uma nova pista sobre o assunto: mulheres com diabetes tipo 1 podem apresentar maior tendência para desenvolver quadros de menopausa precoce, além de períodos reprodutivos mais curtos e menarca retardada.

    A pesquisa comparou a duração da fase reprodutiva entre quase 300 pacientes com diabetes tipo 1 e mulheres não diabetes. O que se observou é que a hiperglicemia – isto é, o excesso de glicose no sangue causado pela deficiência de insulina – se mostrou capaz de interromper o funcionamento normal do sistema reprodutivo feminino. O risco, segundo os cientistas, se refere a mulheres que foram diagnosticadas com a doença antes da primeira menstruação (a menarca).

    Em comparação às pacientes sem diabetes, essas mulheres eram mais jovens, tinham HDL (o famoso “colesterol bom”) mais alto, tiveram a primeira menstruação mais tarde e tinham idade menor na menopausa natural (50,1 versus 51,9 anos).

    “Essas mulheres não estão apenas em risco de envelhecimento ovariano prematuro por causa do diabetes tipo 1 de início precoce [diagnosticada antes da menarca], elas também têm risco aumentado para doenças cardiovasculares, osteoporose e mortalidade precoce por causa da menopausa natural antecipada”, alerta Stephanie Faubion, médica e diretora da NAMS, em nota.

    Os autores do estudo sugerem que mais evidências ainda são necessárias para determinar os fatores que contribuem para esse quadro e, assim, direcionar estratégias adequadas para otimizar a qualidade de vida dessas mulheres.

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    Pré-diabetes é um risco que não pode ser ignorado – G1

    Quem tem pré-diabetes está mais sujeito a sofrer um infarto ou derrame do que as pessoas com níveis normais de glicose. Portanto, trata-se de um quadro clínico que não pode ser minimizado, foi o alerta dado na 70ª. Sessão Científica do Colégio Norte-Americano de Cardiologia, ocorrida no mês passado. O ideal é evitar chegar ao patamar de risco, afirma Adrien Michel, especialista em medicina interna e autor do estudo: “não damos importância maior ao pré-diabetes, mas ele pode ser o gatilho para um acidente cardiovascular relevante, mesmo que o paciente nem sequer desenvolva a doença”. Falando em percentuais, esse tipo de evento adverso ocorre em 18% dos pré-diabéticos, enquanto não passa de 11% na população com a taxa sob controle.

    O Brasil tem perto de 17 milhões de diabéticos, sendo que metade desconhece ter a enfermidade, e calcula-se que pelo menos 40 milhões sejam pré-diabéticos. A chance de progressão para a doença aumenta significativamente para quem tem valores de glicemia em jejum entre 100 e 125mg/dL, ou de hemoglobina glicada entre 5.7% e 6.4%. “Como médicos, precisamos nos esforçar mais para educar nossos pacientes sobre os riscos que correm, estimular a adoção de um estilo de vida saudável e avaliar a necessidade de iniciar o controle com medicamentos antecipadamente”, acrescentou Michel.

    Pré-diabetes: quem tem esse quadro está mais sujeito a sofrer um infarto ou derrame do que as pessoas com níveis normais de glicose — Foto: Martin Büdenbender para Pixabay

    A pesquisa avaliou dados de quase 26 mil pacientes do Beaumont Health System, em Michigan, entre 2006 e 2020. Dez por cento dos americanos são diabéticos e um em cada três tem pré-diabetes, um vilão para a saúde do coração porque o nível alterado de glicose pode causar inflamação dos vasos, tornando-os mais estreitos. O quadro é traiçoeiro porque não provoca sintomas.

    Outro estudo, divulgado em maio pela revista científica “Lancet Healthy Longevity”, fez uma constatação sombria: somente uma em cada dez pessoas, dos 55 países de renda baixa ou média que entraram no levantamento, vem recebendo o cuidado necessário – o que inclui remédios de baixo custo, monitoramento da glicose e do colesterol e aconselhamento sobre dieta e exercícios. No entanto, também há notícias positivas: o consumo de duas porções de frutas por dia diminui em 36% as chances de desenvolver a enfermidade, mostrou pesquisa recém-publicada na revista científica “Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism”. No mundo, há algo em torno de meio bilhão de diabéticos, cenário que, segundo os especialistas, configura-se como uma nova epidemia global.

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