Tratamentos

Diabetes: aplicativo gratuito ajuda a controlar nível glicêmico – Olhar Digital

Quem tem diabetes ou conhece alguém que convive com a doença sabe como é difícil manter a taxa glicêmica controlada. A hiperglicemia – quando o nível está muito alto – e a hipoglicemia – quando está muito baixo – são problemas constantes na rotina dos diabéticos.

Para ajudar os pacientes nessa difícil tarefa, existe um aplicativo gratuito. Estamos falando do Glic, que colhe os registros diários de glicemia, medicamentos e alimentação, e faz a conexão com uma equipe médica parceira da plataforma.

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Claudia Granha Labate e o marido, Gabriel Schon Moreira, são os CEOs do Glic. Ela descobriu que tinha a doença aos 10 anos e viu na própria experiência uma oportunidade para ajudar outras pessoas.

A plataforma oferece uma tabela nutricional com mais de 1.500 alimentos para contagem de carboidratos e faz o acompanhamento do uso de medicamentos, além do cálculo da dose de insulina a ser aplicada, considerando a ingestão de gordura relatada pelo usuário.

O Glic ainda gera relatórios e gráficos do tratamento. O sistema usa como base a orientação médica recebida pelo paciente para ajustar o tratamento no dia a dia.

Além dos pacientes, médicos e nutricionistas podem se cadastrar para oferecer suporte aos usuários a distância e em tempo real. Para manter a plataforma no ar, sem custos, o Glic conta com parcerias.

Segundo Claudia, a participação de vários profissionais no projeto possibilita não só melhorar a qualidade de vida do portador de diabetes, mas também faz com que os pacientes conheçam e entendam melhor a doença.

O aplicativo Glic está disponível para dispositivos Android e iOS. O cadastro também pode ser feito pelo site gliconline.net.

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Estudo aponta fatores de risco para Covid-19 em quem tem diabetes – Revista Galileu


Pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver um quadro grave de Covid-19 (Foto: Pexels/TesaPhotography)

Pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver um quadro grave de Covid-19 (Foto: Pexels/TesaPhotography)

Vários estudos sobre a relação entre diabetes e Covid-19 já apontaram que pessoas com a doença metabólica têm taxas de mortalidade de duas a três vezes maiores caso contraiam o coronavírus. Todavia, ainda não se sabe ao certo como o vírus afeta os indivíduos diabéticos e quais fatores de risco existem nesse grupo.

Intrigados pela questão, pesquisadores do Centro Alemão de Diabetes analisaram 22 estudos publicados sobre o assunto, que abrangem mais de 17,5 mil pessoas diagnosticadas tanto com diabetes quando com o Sars-CoV-2. Os resultados foram publicados no jornal científico Diabetologia, na última quarta-feira (28).

Os experts apontam que indivíduos com diabetes mellitus são mais propensos a terem um quadro grave de Covid-19. Mas o estudo também indicou fatores de risco dentro podem aumentar a gravidade da doença nesse grupo.

A nova pesquisa diz que homens diabéticos, com idade de 65 anos ou mais, níveis elevados de glicose no sangue e que passam por tratamento crônico com insulina são mais predispostos a terem complicações em decorrência do novo coronavírus.

Representação de Sars-CoV-2 em células humanas (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases, NIH)

Representação do vírus Sars-CoV-2 em células humanas (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases, NIH)

Além disso, comorbidades como problemas cardiovasculares ou renais também são fatores de risco quando se trata do coronavírus. “Esses resultados ajudarão a classificar os indivíduos com diabetes ainda melhor, a fim de melhorar sua terapia e amenizar o curso [da Covid-19]”, diz Michael Roden, coautor da revisão de estudos, em comunicado.

Roden lembra que outros fatores específicos da diabetes, como o tipo e a duração da doença, ainda são avaliados de forma imprecisa ou com baixa significância. Ele cita a necessidade de mais estudos sobre o tema e conta que a equipe já trabalha em uma próxima versão da análise.

“Esta revisão apresenta a situação do estudo atual e será atualizada regularmente, desde que novas descobertas sobre este tópico estejam disponíveis”, conta o pesquisador. 

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Diabetes: expansão de faixa etária no SUS amplia acesso à caneta de insulina – medicinasa.com.br

O Brasil conta mais de 13 milhões de brasileiros vivendo com diabetes. Deste total, estima-se que 7% dependam do uso rotineiro de insulina como forma de tratamento e controle da doença. Considerada um dos dispositivos mais modernos para o tratamento da doença, a caneta preenchida de insulina é uma importante aliada no controle da glicemia, reduzindo episódios de hipoglicemia e possíveis hospitalizações decorrentes desta complicação.

A tecnologia, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2019, agora atenderá uma maior parcela da população brasileira. Pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2, preferencialmente acima de 50 anos e menores de 19 anos, faixa etária recentemente atualizada pelo Ministério da Saúde, passam a ter acesso a este benefício. De acordo com estimativas da pasta, esta mudança resultará na cobertura de cerca de 50% das pessoas que dependem da insulina diariamente. Anteriormente, o público que tinha acesso à caneta de insulina era de pessoas de até 16 anos e acima de 60.

Diferente das aplicações feitas com seringas, em que se retira a insulina de frascos-ampola, a caneta preenchida de insulina é utilizada com agulha mais fina e curta, causando menos desconforto na aplicação, e já vem preenchida com insulina e dosador, o que garante maior precisão, oferecendo menor risco de erro na aplicação. Além disso, pode ser transportada com facilidade e manuseada com praticidade pelas pessoas com diabetes, seus cuidadores e familiares.

“Estamos em um momento difícil da história do mundo. O fato deste recurso de tratamento e controle do diabetes estar disponível para uma fatia ainda maior da população brasileira, durante a pandemia de Covid-19 se torna ainda mais importante pois é um grande aliado na busca do controle glicêmico adequado. Quando os valores da glicemia estão controlados o risco para a gravidade de uma infecção por Covid-19 é minimizado., explica a endocrinologista e diretora médica da empresa global de saúde Novo Nordisk, Priscilla Olim Mattar.

A utilização das canetas preenchidas de insulina ajuda a melhorar a qualidade de vida de pessoas com diabetes e a reduzir as emergências hospitalares, de acordo com diversos estudos nacionais e internacionais. Por exemplo, 90% dos usuários de caneta afirmam precisar de menos assistência para aplicar a insulina, enquanto 64% das pessoas com diabetes que adotaram a caneta apresentaram menos episódios de hipoglicemia. Já um estudo entre médicos dos Estados Unidos mostrou que 97% deles acreditam que a aplicação de insulina com a caneta é melhor que o uso de frascos, seringas e ampolas. E na Itália, Estados Unidos e Irlanda a maior parte das pessoas com diabetes consideram as canetas mais discretas, mais rápidas e fáceis de usar.

Diabetes em tempos de Covid-19

No mundo, o Brasil ocupa o 5º lugar entre os países com maior número de pessoas com diabetes. E, se nada for feito, essa tendência não deve melhorar até 2045. Complicações decorrentes do diabetes também estão entre as principais causas de morte no Brasil .

A pandemia do novo coronavírus desponta no cenário como preocupação extra. Já se sabe que pessoas vivendo com diabetes não estão mais suscetíveis a se contaminar se tomarem os cuidados recomendados pelas autoridades de saúde. No entanto, estando no grupo de risco, elas são sim mais susceptíveis a desenvolver as formas mais graves da doença. Um tratamento que propicie um adequado controle da glicemia minimiza, por consequência, emergências médicas relacionadas ao descontrole glicêmico, neste momento tão delicado da história mundial.

Campanha Caneta da Saúde

É pensando nesses pacientes e em suas famílias, e no complexo contexto da pandemia, que surge a campanha “Caneta da Saúde”, uma iniciativa de saúde pública e fruto da soma dos esforços e da parceria entre a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD) e da empresa global de saúde Novo Nordisk, além de contar com o apoio, da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS). O objetivo é informar e educar a população sobre as vantagens das canetas preenchidas de insulina, estimulando a utilização do dispositivo. Além, é claro, de engajar e orientar os profissionais de saúde que atuam no tratamento e acompanhamento do diabetes, como médicos, enfermeiros, agentes comunitários e farmacêuticos.

“O diabetes não é uma condição individual. Trata-se de algo presente na vida de milhões de famílias. Neste novo cenário delicado de pandemia, há pessoas que estão no grupo de risco e podem desenvolver as formas mais graves da doença”, ressalta Olim Mattar. “A campanha ‘Caneta da Saúde’ chega nesse contexto. É uma maneira de ajudar a manter a saúde em dia dessas pessoas que já sofrem com uma doença crônica. Tudo que precisamos evitar são episódios de hiper ou hipoglicemia, que podem levar o paciente para o pronto-socorro, o que pode expô-lo a riscos adicionais durante a pandemia”, destaca.

Por se tratar de uma iniciativa de utilidade pública, a campanha “Caneta da Saúde” tem abrangência nacional e contará com diversas iniciativas nos ambientes digital e presencial. No site //www.canetadasaude.com.br, dedicado à campanha, a população encontrará informações e orientações sobre o diabetes, o uso de insulina, as vantagens e benefícios da utilização da caneta preenchida de insulina disponível no SUS, além de um conteúdo que desmistifica inúmeras “fake news” sobre a doença e seu tratamento. Há também uma área destinada aos profissionais da saúde, com um exclusivo e-book e orientações técnicas sobre a utilização das canetas.

A iniciativa começou ontem, 24, e de acordo com as regras estaduais e municipais em função da pandemia da Covid-19, durante três meses, um caminhão circulará pelos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Paraíba, distribuindo kits de orientação e esclarecendo dúvidas da população em frente a algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dessas cidades.

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Canela ajuda no controle do diabetes – Saúde


De olho em evidências gringas, o enfermeiro José Claudio Lira decidiu testar os efeitos da canela na saúde de quem convive com o diabetes. Em experiência que deu origem ao seu doutorado na Universidade Federal do Ceará, ele recrutou 140 indivíduos com a doença e os dividiu em dois grupos.

Enquanto um recebeu 3 gramas da especiaria em cápsulas diariamente, o outro tomou placebo (cápsulas sem nada dentro). Todos seguiram com seus medicamentos. “Percebemos que a canela ajudou a baixar a glicemia e também melhorou a resistência à ação da insulina, o hormônio que quebra o açúcar”, revela.

Ele frisa, porém, que a façanha não é imediata — o estudo durou três meses — e que o ingrediente é parceiro, e não substituto dos remédios.

Os segredos da especiaria

Segundo Lira, a canela tem potencial termogênico — significa que acelera o metabolismo. “Ela também melhora a biodisponibilidade da insulina”, diz. Com isso, mais açúcar é tirado de circulação.

Para completar, o condimento exibe ação anti-inflamatória. “Tudo isso facilita o controle do diabetes”, ensina o enfermeiro. Para tirar proveito, o ideal é não aquecê-la no forno ou na panela, avisa Lira. Mas tudo bem polvilhá-la in natura por cima de alimentos quentes.

Dá-lhe canela

Use 1 colher de chá ao longo do dia. Algumas ideias:

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+ No mingau

+ No chá ou café

+ Em ensopados

+ Na salada de frutas

+ No leite

+ No iogurte

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    Instituto Cândida Vargas oferece serviços para mulheres com diabetes gestacional – João Pessoa Governo Municipal

    A diabetes gestacional é um dos problemas que podem acometer as mulheres grávidas. Visando garantir os cuidados necessários para esse público, o Instituto Cândida Vargas (ICV) oferece os serviços nutricionais, que investigam a presença da doença já na primeira consulta, através da pesquisa dos fatores de risco e pela realização de glicemia de jejum. De janeiro a julho deste ano, 1.847 mulheres com diabetes foram atendidas pelo ICV, segundo o setor nutricional. 

    Quando confirmado o diagnóstico, a gestante deverá ser orientada quanto à necessidade de adequação glicêmica e do estabelecimento de um plano dietético compatível. Caso necessário, deve-se iniciar a insulinoterapia, a fim de evitar e minimizar os riscos para a gestante e o feto.

    Foi o caso de Jacilene Souza, de 32 anos, que adquiriu diabetes gestacional na sua segunda gravidez e está sendo cuidada pela equipe do ICV. “Eu estou achando o serviço daqui muito prestativo, pelo fato de estar sendo bem acompanhada. As enfermeiras, as técnicas e os médicos, eles acompanham bem a questão da dieta, que querendo ou não em casa não fazemos regularmente. Aqui, vemos essa intenção de cuidar melhor, da alimentação e a gente consegue equilibrar”, relatou a paciente com o sorriso no rosto.  

    Jacilene também destacou a importância da alimentação saudável para a saúde da criança. “É importante o cuidado, pois a diabete é algo que coloca a vida do bebê em risco e se a gente não tiver esse controle na alimentação, da verificação da glicose, acaba não tendo como saber se o bebê está bem. E, estando aqui dentro, fazemos os exames e tem a preocupação dos médicos sempre presente para saber como é que está”, destacou.

    Segundo a coordenadora nutricional do ICV, Madeline Azevedo, o diabetes gestacional é desenvolvido por um defeito funcional, desencadeando consequências durante gravidez e, dependendo de alguns casos, apresentando evoluções que continuam persistindo pós-parto. “O diabetes na gestação é uma doença muito observada atualmente, pois está diretamente relacionado à má alimentação das gestantes, onde consequentemente ocorre uma hiperglicemia materna”, disse.

    Os riscos de desfechos adversos maternos, fetais e neonatais aumentam de forma contínua com a elevação da glicemia materna. As gestantes com idade mais avançada e com o peso elevado geralmente tendem a adquirir o diabetes, mas a predisposição genética também é fundamental para o aparecimento da doença.

    “O peso inadequado ao nascer é uma das grandes preocupações da saúde pública, devido ao aumento da morbimortalidade no primeiro ano de vida e ao maior risco de desenvolver doenças na vida adulta, tais como a síndrome metabólica, nos casos de baixo peso, e diabetes e obesidade, nos casos de macrossomia”, explicou a coordenadora.

    O acompanhamento nutricional é fundamental na gravidez complicada pelo Diabetes Mellitus Gestacional (DMG), onde, por meio de uma alimentação adequada, é possível influenciar positivamente o controle glicêmico e de peso, evitando maiores risco durante e após a gestação e promovendo saúde para a mãe e o filho.

    A adesão ao plano alimentar saudável, atende aos princípios de quantidade, padrão das refeições e adequação do ganho de peso são fundamentais para o bom controle glicêmico, contribuindo para a incorporação de um adequado estilo de vida, mesmo após o término da gestação. “Para evitar episódios de hiperglicemia, hipoglicemia ou cetose, a distribuição energética se dá em três pequenas refeições (lanche da manhã, lanche da tarde e lanche noturno) e três refeições maiores (desjejum, almoço e jantar)”, contou Madeline. 

    ICV – Referência como Hospital Amigo da Criança, o Instituto Cândida Vargas é um serviço especializado para gestantes, puérperas e recém-nascidos. Oferta serviço especializado de média e alta complexidade em atenção obstetrícia e neonatal, atendimento de urgência e emergência obstétrica e ginecológica, pré-natal de alto risco, planejamento familiar, serviço de referência para adolescentes e mulheres em situação de violência sexual, atendimento psicológico, serviço de cardiologia, exames laboratoriais e ultrassonografia.

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    100 anos da descoberta da insulina: entenda a importância da medicação no tratamento da diabetes – Diário do Nordeste

    O ano de 2021 marca o centenário de uma descoberta vital para a humanidade: a insulina, hormônio produzido pelo pâncreas, cujo papel fundamental é controlar o metabolismo dos carboidratos no corpo humano.  

    A diabetes mellitus, ou apenas diabetes, é uma doença crônica caracterizada pelo alto nível de glicose (açúcar) no sangue (hiperglicemia). E essa elevação ocorre, justamente, devido à incapacidade do pâncreas de produzir insulina ou de até produzi-la, mas em quantidade insuficiente.  

    Sem a existência do hormônio insulina, as células não conseguem absorver a glicose e transformá-la em energia para abastecer todo o corpo. E é essa energia que permite ao ser humano andar, falar, pensar, enfim, sobreviver.

    “De forma bem objetiva, a insulina ‘abre a porta’ da célula para a glicose entrar e essa glicose, dentro da célula, vai se transformar em energia nos processos metabólicos do corpo. Como não tem essa glicose dentro da célula, o corpo entende que não tem energia”, esclarece a educadora em diabetes e docente do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará (Uece), enfermeira Shérida Paz. 

    Sintomas de descontrole 

    Para compensar a suposta falta de energia, de nutrientes, surgem sintomas como a polifagia, que é a vontade excessiva de comer. Contraditoriamente, o descontrole do nível de açúcar na corrente sanguínea também pode levar à perda de peso. 

    Se o corpo “não está conseguindo usar a glicose como fonte energética, ele vai buscar outras formas de energia. E encontra no músculo e na gordura. Por isso, pessoas perdem peso”, diz a professora.

    Além da fome excessiva e da perda de peso, há outros dois sintomas básicos da hiperglicemia. Um deles é a poliúria, a eliminação excessiva de urina. Se trata, na verdade, de uma tentativa ‘desesperada’ do organismo em jogar para fora o excesso de glicose no sangue. O outro sintoma é a polidipsia, a sede excessiva gerada para compensar a grande perda de líquido pela urina. 

    Os sintomas acima mencionados, cabe ressaltar, ocorrem apenas em casos de descontrole glicêmico. Portanto, antes da descoberta da insulina, era impossível alcançar tal equilíbrio, pois não existia a possibilidade de injetar o hormônio no organismo. 

    “A não produção de insulina leva a um estado de desidratação e desnutrição. Geralmente, nesses 100 anos atrás, as pessoas morriam em decorrência da falta [de insulina]. Então, essa descoberta deu uma possibilidade de vida a essas pessoas”, frisa a médica endocrinologista Rafaela Vieira Correa, integrante do Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS. 

    Legenda: O canadense, Leonard Thompson, foi a primeira pessoa a receber uma injeção de insulina. Nas imagens, ele antes e após as aplicações

    Foto: Reprodução

    “Muitas vezes, o tratamento era ficar sem comer, era a inanição porque [as pessoas] percebiam que tinha ligação entre a alimentação e os sintomas de hiperglicemia, mas não sabiam exatamente por quê. Com a descoberta da insulina, foi possível proporcionar um tratamento em que as pessoas pudessem continuar comendo, mesmo após o diagnóstico de diabetes. A insulina proporcionou vida”, corrobora Shérida Paz. 

    A longo prazo, o descontrole do diabetes pode provocar várias complicações de saúde. De acordo com a médica endocrinologista, Ana Flávia Torquato, complicações macrovasculares, como Infarto agudo do miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC), estão entre as causas mais comuns de mortes na população com diabetes. 

    Também há complicações microvasculares, como insuficiência renal, levando à necessidade de hemodiálise ou transplante renal, bem como retinopatia diabética, que pode levar à perda visual. E há a neuropatia diabética, que pode levar a complicações, necessitando a amputação de membros”

    Ana Flávia Torquato

    Endocrinologista

    Tipos de diabetes 

    A hiperglicemia pode acometer pacientes diagnosticados com o diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2. No tipo 1, o diagnóstico ocorre, normalmente, nos primeiros anos de vida até a adolescência, tornando esses pacientes dependentes de insulina pela vida inteira

    Já o segundo, costuma surgir na quarta ou quinta década de vida. Geralmente, pacientes do tipo 2 apresentam obesidade, sedentarismo, pressão e colesterol altos, com risco cardiovascular, diferencia Rafaela. 

    “No diabetes tipo 2, a pessoa produz a insulina, só que essa insulina não age adequadamente. É o que a gente chama de resistência à insulina. É uma disfunção do pâncreas que produz insulina, mas a ação dessa insulina é impedida”. 

    Embora seja possível controlar a disfunção com medicamentos, ao longo do tempo, a doença pode progredir e o paciente tipo 2 – assim como o do tipo 1 –  pode parar de produzir insulina, precisando injetá-la.  

    Ana Flávia Torquato confirma que cerca de 90% das pessoas com diabetes tipo 2 têm sobrepeso ou obesidade. Mas a descoberta da doença não torna, automaticamente, a dependência pela medicação uma sentença para o resto da vida.  

    “A perda de peso no início da doença, logo após o diagnóstico, pode sim normalizar os índices glicêmicos. Dependendo da quantidade de peso perdido, [pode haver] remissão do diabetes, sem a necessidade de tratamentos através de medicações”. 

    Além do diabetes tipo 1 e tipo 2, há também o diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez. Devido ao ‘turbilhão’ de hormônios produzidos nesse período, ocorre a hiperglicemia e o pâncreas necessita produzir uma quantidade maior de insulina.

    Por isso, algumas mulheres necessitam injetar o hormônio ainda no período da gestação, afirma Rafaela Vieira, que também faz um alerta. “Se você teve diabetes gestacional, significa que tem que cuidar da sua saúde. Geralmente, as diabéticas gestacionais são pacientes que lá pros 40, 50 anos vão desenvolver o diabetes tipo 2”.  

    Conforme a médica, o cuidado do diabetes consiste em um “tripé”, que envolve não apenas o uso correto e frequente da medicação, como também o controle da alimentação, aliados à prática de exercícios físicos. O cuidado com o sono e a saúde mental, acrescenta a enfermeira Shérida Paz, também influenciam diretamente na glicemia. 

    Níveis da doença

    O valor normal da glicemia em jejum é inferior a 99 mg/d. Se variar entre 100 mg/dL e 125 mg/dL, há uma variação já considerada como pré-diabetes. Quando igual ou superior a 126 mg/dL, ocorre o diagnóstico de diabetes. Caso esse valor seja igual ou inferior a 70 mg/dL, se tem a hipoglicemia. Isso significa que há pouco açúcar no sangue e a energia necessária para o corpo está baixa.  

    Nos casos mais graves de hiperglicemia, descreve a médica Rafaela Vieira, “os pacientes entram em cetose, cetoacidose ou coma hiperosmolar. Eles vão desidratar, desidratar, tem uma hora que vão desmaiar, apagar. Então, esses pacientes serão levados pra emergência desidratados e com a glicose muito alta”. 

    Foi isso o que aconteceu com a assessora de compras e influencer Lidiane Silva, de 36 anos. Aos 15, passou mal e foi levada às pressas ao hospital, onde ficou internada por 24 horas em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).  

    “Eu acordei com muita falta de ar, apaguei e fui pra UTI. A glicose estava em 700 [mg/dL], muito alta e, desde quando eu descobri, já fui pra insulina”, rememora Lidiane.  

    Legenda: Com diabetes tipo 1, Lidiane Silva passou a usar insulina aos 15 anos

    Foto: Arquivo pessoal

    Após uma semana de internação, se viu obrigada a incluir a insulina no dia a dia e a conviver com a ideia de ter diabetes tipo 1. Inicialmente confundidos como sinais de anemia, vários sintomas surgiram rapidamente, ao longo de três meses.  

    “Eu comecei a emagrecer, sentir muita sede, [fazer] muito xixi, comia muito e, quanto mais eu comia, mais eu emagrecia. E o corpo cansado, com formigamento e dor de cabeça”. 

    Adolescente à época, a influencer precisou de um tempo para se adaptar às mudanças para uma melhor qualidade de vida. Além de usar a insulina, passou a controlar a alimentação e a fazer exercícios físicos.  

    “A diabetes não é só não poder comer açúcar, é um controle de tudo. Você tem que estar bem emocionalmente, ou pelo menos tentar, se alimentar bem, fazer exercício físico. É um conjunto; nada anda sozinho na diabetes”, compartilha.  

    No início, Lidiane utilizava insulina em frascos e chegava a ter hipoglicemia. “Eu não sentia nada e quando ela [diabetes] me pegava, já era de repente. Eu passava mal, tinha convulsão, desmaiava. Às vezes, a dosagem [de insulina] estava um pouco a mais pra quantidade que eu tinha comido”.  

    Hoje, com a insulina que está usando, em canetas descartáveis mais modernas, o efeito é “totalmente diferente”.   

    Legenda: As canetas de insulina dão mais praticidade e segurança ao dia a dia de pacientes como Lidiane

    Foto: Arquivo pessoal

    “Com a insulina que eu tomo, sinto que está baixando [a glicemia], sinto uma fome, fraqueza, formigamento, uma tontura. Quando a gente é diabético há muito tempo, sente uma coisa estranha e quando faz o exame, está realmente baixa. Eu não passo mais mal como eu passava. Sinto os sintomas, e dá tempo comer”.  

    Já entendendo o diabetes como uma doença grave, a assessora de compras tem conseguido conviver bem com ela. “Tenho que fazer exame seis vezes ao dia, então é uma vigilância eterna. Mas é uma doença que você pode conviver, tratando”.  

    Evolução da insulina

    A caneta de insulina descartável utilizada por Lidiane é mais prática de manusear e permite o uso de agulhas mais curtas e finas do que as tradicionais injeções. Este é um exemplo de como a produção da insulina em laboratório (exógena) e sua aplicação vêm evoluindo nestes últimos 100 anos. 

    Segundo a médica Rafaela Vieira, logo que foi descoberta, a insulina usada por humanos era proveniente de pâncreas de bois e de porcos. O que acabava provocando alergia, exigindo uma imunogenicidade maior. 

    “Só que, atualmente, a gente já desenvolveu tecnologia e a insulina que a gente usa é de DNA recomendante humana. Hoje em dia, o uso da insulina é mais seguro, temos insulinas mais modernas e o cuidado do paciente diabético avançou muito nesses últimos anos”. 

    Outro avanço, elenca a médica endocrinologista, foi a bomba de insulina, que funciona como um pâncreas artificial. “É um aparelho muito pequenininho que acopla na barriga e ele fica dando doses de insulina durante o dia todo àquela pessoa”. Esse é um tipo de tratamento moderno, mas ainda caro e que demanda treinamento. 

    “Evoluímos também nos transplantes de ilhotas, que são as células que produzem insulina. Alguns pacientes fazem esse transplante e a gente consegue resgatar essa função do pâncreas. Não estamos fazendo [no Brasil], infelizmente, mas existe em nível de pesquisa e em países mais avançados”.

    Para a médica Ana Flávia, desde 1921, ocorreram “avanços muito importantes” em relação à administração e mecanismo de ação da insulina, bem como na monitorização da glicemia. “E a expectativa é que tudo isso continue avançando”.

    No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente as insulinas humanas do tipo NPH e Regular para todos os indivíduos portadores de diabetes. 

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    Viva Bem com Diabetes

    Covid-19 pode causar diabetes em pacientes graves, revelam estudos – Correio Braziliense

    Thays Martins

    postado em 16/06/2021 12:54 / atualizado em 16/06/2021 13:00

     (crédito: Adauto Cruz/CB/D.A Press)

    (crédito: Adauto Cruz/CB/D.A Press)

    Dois novos estudos apontam que a infecção pela covid-19 pode atingir as células do corpo responsáveis por produzir insulina, hormônio que regula o açúcar no sangue, o que pode provocar o desenvolvimento de diabetes.

    Um dos estudos é da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, e o segundo, da Weill Cornell Medicine, de Nova York. A estimativa dos pesquisadores é que até 30% dos pacientes graves da covid-19 podem desenvolver diabetes.

    Uma análise de pacientes em todo o mundo feita pela Universidade McMaster, no Canadá, já tinha apontado que quase 15% dos pacientes com casos graves de covid-19 desenvolveram a doença.

    A relação entre o novo coronavírus e a condição pode está ligada ao fato do vírus também afetar células do pâncreas, onde é produzida a insulina. A ligação foi constatada em autopsias feitas em pacientes que morreram devido à covid-19.

    A constatação nos dois estudos, publicados na revista Cell Metabolism, é de que, quando o vírus Sars-CoV-2 ataca as células do pâncreas, há uma diminuição da produção de insulina, o que pode provocar o diabetes tipo 1.

    Este tipo normalmente é genético e aparece ainda quando a pessoa é jovem. Nele, as células do pâncreas não produzem insulina suficiente. Assim, a glicose fica no sangue em vez de ser usada como energia. 

    Saiba Mais

    Viva Bem com Diabetes

    Novos estudos indicam que a Covid-19 pode causar diabetes – VEJA


    Dois estudos apoiados pelo National Institutes of Health dos Estados Unidos (NIH) confirmam que o coronavírus pode ter conexão com novos casos de diabetes. Além da pneumonia, de coágulos sanguíneos e outros problemas posteriores de saúde, os cientistas descobriram que as células produtoras de insulina no corpo também podem ser alvo da Covid-19.  

    A diabetes tipo 1 ocorre quando as células beta do pâncreas não secretam insulina suficiente para permitir que o corpo metabolize os alimentos de maneira normal após uma refeição. Como resultado, a glicose fica no sangue em vez de ser usada como energia. Estudos de laboratório anteriores já mostraram que o novo coronavírus pode infectar células beta humanas, podendo se replicar nelas para fazer mais cópias de si mesmo.  

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    Cirurgia bariátrica: nove anos de vida a mais para pessoas com diabetes

    Os novos trabalhos, que se propuseram a focar na relação entre o vírus e a diabete, confirmaram a infecção de células beta pancreáticas em amostras de autópsias de pacientes mortos pela Covid-19, além de sugerir que o vírus pode preferencialmente infectar as células beta produtoras de insulina. A atração por esse tipo de célula faz sentido biologicamente, uma vez que as proteínas ali presentes são as que o coronavírus depende para conseguir infectar os humanos.  

    As descobertas mostram também que a infecção viral altera a função das ilhotas, tecido do pâncreas que contém o material celular, evidenciando que o coronavírus pode reduz a produção e a liberação de insulina do tecido dessas ilhotas. Uma das soluções sugeridas pelos cientistas é o bloqueio da proteína NRP1, utilizada pelo vírus para penetrar nas células.  

    Além da perda, foi descoberto que a infecção pode mudar o destino das células sobreviventes. Ao analisar uma dessas sobreviventes, os estudos mostraram que ela passou por um processo de transdiferenciação, quando uma célula se modifica para outro tipo. Nessa atividade, as células começam a produzir menos insulina e mais glucagon, hormônio que estimula a produção de glicogênio no fígado a ser dividido em glicose. Além disso, elas também passaram a produzir níveis mais elevados de uma enzima digestiva chamada de tripsina 1.  

    Os cientistas descobriram também uma forma de reverter essa transdiferenciação através de uma substância química conhecida por reduzir uma importante resposta celular ao estresse. As consequências desse processo ainda não estão claras, sendo necessários novos estudos para entender como o novo coronavírus atinge o pâncreas e que papel o sistema imunológico pode desempenhar.  

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    Viva Bem com Diabetes

    Pré-diabetes; confira hábitos saudáveis para controlar a doença – Terra




    O pré-diabetes pode ser reversível desde que identificado previamente

    O pré-diabetes pode ser reversível desde que identificado previamente

    Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

    O diabetes tipo 2, que é a forma mais diagnosticada no mundo, é perigoso e pode trazer complicações para o organismo, como cegueira, problemas renais e cardiovasculares.  

    Grande parte das pessoas que desenvolvem a doença já passaram pela condição de pré- diabetes, que ocorre quando o indivíduo apresenta valores de glicose no sangue alterados, mas não suficientemente altos para caracterizar o diabetes. 

    De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) em parceria com o laboratório Abbott, apenas 30% dos pacientes tinham informações sobre essa condição.

    É importante ressaltar que 50% dos pacientes provavelmente irão desenvolver o diabetes, no entanto, quando a condição é diagnosticada previamente, há grandes chances de revertê-la ou retardar sua evolução. 

    Segundo o clínico geral Paulo Camiz, o pré-diabetes não costuma provocar as complicações renais, visuais ou neurológicas que o diabetes em si pode trazer com o tempo. Entretanto, ocorre um risco maior no desenvolvimento de complicações cardiocirculatórias, como o infarto e o acidente vascular cerebral. 

    “Além disso, proporciona, principalmente, um risco extremamente elevado de desenvolver o próprio diabetes”, avisa Camiz. 

    Hoje, mais de 40 milhões de brasileiros se encontram nessa condição, mas a boa notícia é que é possível evitar a doença ou, pelo menos, retardar o seu avanço,  combatendo os fatores de risco. Ou seja: é preciso atenção redobrada aos hábitos de vida, como alimentação e prática de exercícios físicos. 

    Mude seus hábitos 

    Tanto para prevenir qualquer descontrole na glicemia quanto para sair da condição de pré-diabético, manter uma alimentação balanceada e adotar a prática de atividades físicas é fundamental. 

    Segundo informações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), pessoas que adquirem novos hábitos no estilo de vida, como a atividade física regular, resultando em diminuição de 5% a 10% no peso corporal, ajudam a, no mínimo, retardar o aparecimento do diabetes. 

    Portanto, a recomendação é: baixar o número na balança. “O principal fator que leva um indivíduo a esse estado é a obesidade, que faz com que a insulina atue de uma forma menos eficaz no transporte de glicose para o interior das células do corpo”, explica Camiz. 

    Também é importante colocar o corpo para trabalhar. Manter uma rotina de exercícios físicos, além de auxiliar no controle da glicemia, beneficia o processo de emagrecimento, além de diminuir o risco para hipertensão e infarto. 

    Níveis de glicose no sangue (em jejum) 

    Saudável: menor que 100mg/dl

    Pré-diabético: entre 100mg/dl e 125mg/dl

    Diabético: 126mg/ dl ou mais.

    Fatores de risco para o pré-diabetes

    O diagnóstico do pré-diabetes é simples de ser realizado, basta um exame de sangue em jejum para medir a glicose. Porém esse estado de “instalação” da doença é muitas vezes totalmente silencioso.

    Por não apresentar sintomas específicos e claros, qualquer um pode ser pré-diabético e não saber, podendo desenvolver o diabetes tipo 2 em até 10 anos. Mas alguns fatores e grupos de risco devem ser destacados para a prevenção da doença: 

    *Pessoas com mais de 45 anos

    *Pessoas acima do peso ideal

    *Sedentários

    *Pressão arterial e colesterol elevados

    *Histórico de doenças vasculares e diabetes na família

    *Mulheres que tiveram bebês com mais de 4 kg ou diabetes gestacional

    *Mulheres com síndrome dos ovários policísticos.

    O pré-diabetes é uma condição silenciosa, por isso, consultas médicas devem ser feitas periodicamente para checagem das taxas de colesterol e glicemia, além da pressão arterial. 

    “Se houver obesidade, é importante fazer um exame de perfil hepático, para ver se há lesão no fígado pelo tecido gorduroso, que é uma causa de cirrose. Se houver hipertensão, exames de fundo de olho e de urina são necessários. A frequência deve ser orientada pelo médico”, diz o profissional.

    Por outro lado, quem já se encontra no estado de pré-diabetes deve avaliar junto ao especialista os demais fatores de risco para os órgãos alvos do diabetes e da obesidade.

    Segundo Paulo Camiz, os exames incluem: um perfil glicêmico (para ver se houve progressão do quadro de diabetes); perfil lipídico (outro importante fator de risco cárdio circulatório é o colesterol); perfil hepático (verificar se há lesão do fígado pelo tecido gorduroso); aferição da pressão arterial; exame de fundo de olho e exame de urina.

    “A frequência de repetição de cada exame deve ser indicada pelo profissional que acompanha o paciente”, acrescenta o clínico geral. 

    Consultoria: Paulo Camiz, clínico geral 

    Viva Bem com Diabetes

    Diabetes gestacional: quais são os riscos para mãe e para o bebê? – VivaBem

    A gestação traz uma série de transformações para a vida de uma mulher. Nesta fase, o corpo feminino passa por adaptações em órgãos e no metabolismo para garantir o desenvolvimento do feto. Durante os nove meses da gravidez ocorrem uma série de alterações hormonais.

    Ao longo deste período, o organismo da mãe tende a aumentar, por exemplo, a produção de insulina, hormônio responsável por controlar a quantidade de glicose (açúcar) no sangue. E é exatamente aqui que está a causa do que chamamos de diabetes gestacional.

    Uma batalha entre mãe e filho

    Para ilustrar a situação que gera a doença, podemos dizer que o processo funciona como uma queda de braços entre o corpo da mãe e o do bebê: de um lado o organismo da criança exige uma demanda alta de açúcar para garantir seu desenvolvimento. Do outro, o corpo da mãe responde com insulina, na tentativa de controlar o excesso da substância no organismo. Cada um buscando garantir aquilo que precisa.

    O responsável pela regulação da insulina é o pâncreas. Em condições normais, quando o nível de glicose no sangue fica alto, células especiais liberam insulina para equilibrar sua quantidade e, desta forma, permitir que o açúcar disponível seja usado de acordo com as exigências do momento —a glicose pode ser utilizada como combustível para as atividades do corpo ou fica armazenada como reserva, em forma de gordura. Esse controle mantém em níveis normais a taxa de glicemia no sangue.

    No entanto, na gestação outros hormônios são liberados pela placenta e acabam atrapalhando o processo. Eles forçam o pâncreas materno a trabalhar ainda mais para manter os níveis da substância em ordem.

    O problema é que muitas vezes todo esse esforço não é suficiente e sobra açúcar na corrente sanguínea (o que chamamos de hiperglicemia). É daí que surge o diabetes gestacional.

    Mas eu nunca tive diabetes antes!

    Mesmo sem nunca ter apresentado qualquer problema ou tendência ao diabetes é possível que a mulher veja suas taxas de açúcar subirem para além do normal durante a gravidez —a OMS (Organização Mundial de Saúde) considera glicemia elevada e alerta de diabetes gestacional taxas acima de 92 mg/l de glicose no sangue quando analisado em jejum.

    A doença geralmente surge após a 20ª semana de gravidez. A partir desse período, a placenta começa a liberar hormônios que têm efeito contrário ao da insulina. Se não for devidamente diagnosticada, monitorada e tratada, o diabetes gestacional pode trazer complicações à saúde da mãe e do bebê, como o ganho de peso excessivo (para ambos), aumento no líquido amniótico, malformações fetais e parto prematuro.

    Seus desdobramentos servem ainda como precursores de risco para doenças que afetam o coração, entre elas a obesidade, hipertensão, eclâmpsia e diabetes depois da gravidez ou do nascimento.

    Coração e o diabetes

    Diabetes x coração, doença cardiovascular - iStock - iStock
    Imagem: iStock

    Segundo a American Heart Association, o diabetes gestacional pode aumentar o risco de doenças cardíacas. De acordo com pesquisas publicadas recentemente na principal revista da entidade, a Circulation, mulheres com histórico de diabetes durante a gravidez têm o dobro de chance de desenvolver cálcio nas artérias, forte preditor de doença arterial coronária —mesmo ao atingir níveis adequados da glicemia após a gravidez.

    A complicação na gestação também favorece o surgimento do pré-diabetes ou do diabetes tipo 2 (quando o corpo não consegue utilizar adequadamente a insulina que produz). Com taxas elevadas de glicose no sangue, várias alterações que interferem no sistema cardiovascular podem acontecer.

    Para começar, o nível de colesterol aumenta, formando um número maior de placas de gordura nas artérias coronárias, o que pode gerar obstrução. Além disso, a quantidade excessiva de glicose no sangue favorece a produção de coágulos, que também podem bloquear as coronárias —artérias responsáveis por irrigar o coração.

    O problema é que para manter-se em pleno funcionamento, o músculo cardíaco necessita de uma demanda constante de sangue. A obstrução (parcial ou total) das artérias coronárias tem como consequência complicações ou o surgimento de fatores de risco ou doenças cardíacas, como insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, aneurisma da aorta e infarto do miocárdio.

    Caso o mesmo processo ocorra em outras artérias do corpo, o resultado pode ser um acidente vascular cerebral ou a doença vascular periférica.

    Fatores de risco

    Como dito, qualquer mulher pode ter diabetes gestacional, mas a complicação é mais comum naquelas que estão acima do peso (sobrepeso ou obesidade) ou ganhando muitos quilos na gestação, são mais velhas, têm ovários policísticos, hipertensão arterial, triglicérides e colesterol altos, estão em uma gestação múltipla (gêmeos), tiveram gravidez prévia com a doença ou de bebês grandes (mais de 4 kg) ou ainda têm histórico familiar de diabetes ou diabetes gestacional.

    Mulheres que apresentavam, antes da gravidez, certa resistência à insulina também podem desenvolver o diabetes gestacional. As que já tinham o diagnóstico de diabetes tipo 2 precisam de um acompanhamento mais próximo, pois existe a probabilidade de piora no quadro.

    E o que acontece com a criança?

    teste do pezinho, bebê, criança, recém-nascido - iStock - iStock
    Imagem: iStock

    Os filhos de mães com diabetes gestacional podem apresentar complicações quando ainda estão dentro do útero ou após o nascimento. Além do aumento nos níveis de insulina no corpo da mulher, é possível que o mesmo aconteça com o feto, que passa a receber muita glicose por meio da placenta, o chamado hiperinsulinismo.

    O pâncreas do bebê acaba assim sobrecarregado. Apesar de todo seu esforço, não consegue liberar hormônio suficiente para transformar glicose em energia.

    As sobras de açúcar então viram gordura e a criança passa a ganhar peso além da conta. Isso porque a insulina é uma substância anabólica, ou seja, promove o crescimento e hipertrofia.

    Seu excesso promove crescimento exagerado do corpo e dos órgãos, aumento da gordura corporal e da distância entre os ombros do feto. São casos de bebês macrossômicos (quando a criança nasce pesando 4 kg ou mais), o que pode dificultar o parto.

    O quadro aumenta também o risco de queda dos níveis de açúcar na circulação do bebê ao nascer, a chamada hipoglicemia do recém-nascido. Isso pode ser explicado porque, durante a gestação, o feto permanece em um ambiente com taxas elevadas de açúcar. Seu pâncreas produz então muita insulina.

    Logo após o parto, quando deixa de receber tanto açúcar da mãe e seus níveis de insulina ainda continuam altos, ocorre uma queda brusca na glicose. A hipoglicemia no bebê é muito grave e pode levar a complicações, inclusive a morte.

    Fetos de mães com diabetes na gestação têm ainda maior propensão a nascerem antes do tempo. Bebês prematuros apresentam maior probabilidade de problemas no sistema cardiovascular e respiratório logo após o nascimento e maior risco de desenvolvimento de pressão alta, obesidade, diabetes tipo 2 e doenças do coração na vida adulta.

    Pesquisa publicada no Canadian Medical Association Journal (setembro/2020) indica que filhos de mulheres que tiveram diabetes gestacional têm de duas a três vezes mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares nos primeiros 35 anos de vida.

    O que fazer então?

    A boa notícia é que o controle rigoroso da glicemia durante a gestação diminui ou evita riscos de complicações para a mãe e para o filho, inclusive das consequências no pós-parto. O tratamento é feito normalmente com monitoramento do peso, alimentação saudável e exercícios físicos regulares.

    Quando não é possível administrar a doença dessa forma, o uso de medicamentos e insulina pode ser necessário. Tudo vai depender da resposta da mulher ao tratamento e da gravidade do caso.

    O diabetes gestacional praticamente não tem sintomas. Algumas pacientes relatam sede constante, vontade frequente de urinar e cansaço. Por isso, é fundamental a realização do exame de glicose no pré-natal, além de avaliações periódicas da curva glicêmica. Após o diagnóstico será preciso o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar durante toda a gestação.

    Para a vida de uma futura mamãe que já convive com o diabetes, os cuidados não serão muito diferentes. Contudo, as precauções devem ser ainda mais rigorosas para minimizar possíveis complicações, especialmente em relação taxa de glicose no sangue.

    É importante que essas gestações sejam planejadas a fim de ter o diabetes sob controle antes da gravidez.

    Aquelas que enfrentaram o diabetes gestacional, depois do parto, devem manter a rotina de acompanhamento, além dos check-ups para avaliação da glicemia e demais precauções com a saúde.

    Vale ressaltar ainda que o aleitamento materno pode reduzir a possibilidade do desenvolvimento de diabetes permanente no futuro.

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    Sem cura, diabetes pode ser controlada para evitar complicações e garantir qualidade de vida – Ceará


    28 de junho de 2021 – 12:05 #CIDH #diabetes #qualidade de vida #saúde #Sesa

    Suzana Mont’Alverne – Ascom Sesa – Texto
    Holanda Júnior – Fotos

    Exame do ‘pé diabético’ é realizado no Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão, equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará

    Hábitos saudáveis são importantes aliados para a manutenção da qualidade de vida. Praticar atividades físicas, dormir bem, buscar assistência médica, além de manter uma boa alimentação, são alguns comportamentos que devem fazer parte da rotina de todos. Para aqueles que têm diabetes, doença crônica em que o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz, as práticas são fundamentais para o controle da síndrome. A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), por meio do Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), reforça a importância do autocuidado, principalmente diante do contexto da pandemia de Covid-19.

    Além de dieta equilibrada e atividades físicas frequentes, as pessoas com diabetes precisam estar atentas aos exames e medicamentos para prevenção das complicações que o descontrole da patologia pode causar. “Todos esses comportamentos estão interligados. É cuidando da alimentação, do peso, com atividade física e com uso dos medicamentos, que as taxas ficarão controladas”, pontua a médica endocrinologista e diretora clínica do CIDH, Marcela França.

    A especialista complementa que a educação e o acompanhamento profissional devem ser priorizados. “Para que a pessoa consiga adotar os comportamentos no dia a dia, é fundamental que ela tenha conhecimento em diabetes, motivação, empoderamento e encontre uma equipe que promova o autocuidado apoiado”, indica.

    Alimentação, atividade física e taxas

    A alimentação de uma pessoa com diabetes não deve ser diferente das demais pessoas que têm o estilo de vida saudável e deve ser compartilhada com sua família. A nutricionista do CIDH, Roseane Feitosa, ressalta que uma alimentação benéfica para a saúde deve ser rica em frutas, verduras e legumes e livre de corantes e conservantes. “A nutrição adequada não é privilégio do paciente com diabetes e deve ser priorizada por todas as pessoas. É uma decisão em mudar o estilo de vida, para se ter uma vida com mais saúde e qualidade”, orienta Feitosa. “O ideal é fracionar o aporte calórico em pequenas porções de três em três horas, de maneira que sempre mantenha o equilíbrio na produção fisiológica da insulina”.

    A prática regular de atividade física é outro ponto. “A prática de exercícios garante força muscular, equilíbrio no peso e auxilia na circulação sanguínea”, afirma Débora Barroso, fisioterapeuta da unidade. “E é ainda eficaz no controle dos níveis glicêmicos, na redução dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do excesso de peso”.

    Podcast | Opa, Saúde! #14 – Diabetes: doença pode ser controlada com hábitos saudáveis

    Redução de complicações

    A diabetes é uma doença sem cura, mas que tem controle. Para isso, além das medidas citadas anteriormente, a administração correta das medicações, o acompanhamento com profissionais e o conhecimento sobre a doença fazem toda a diferença no tratamento e na vida da pessoa com a síndrome metabólica.

    A unidade ambulatorial de nível secundário da Sesa é referência na assistência a pessoas com diabetes de tipos 1 e 2, de alto e muito alto risco

    Doenças cardiovasculares estão entre as consequências mais comuns do descontrole da doença. “A causa mais comum de mortalidade no paciente diabético é a doença cardiovascular, tendo como um de seus principais representantes a doença arterial coronariana (DAC)”, diz Ana Lúcia de Sá, cardiologista do CIDH.

    Isso decorre por vários motivos. Além da diabetes ser um fator de risco para a doença, os pacientes apresentam, com frequência, distúrbios do colesterol e da hipertensão arterial. “Esses fatores, quando juntos, aumentam muito a chance do paciente vir a desenvolver a DAC”, frisa.

    A hereditariedade também pode influenciar, pois os indivíduos diabéticos que têm parentes de primeiro grau – homens acima de 55 anos e mulheres acima de 65 anos de idade – que tiveram eventos coronarianos nesta faixa etária têm mais chance de obstruir artérias coronárias. Por isso, reduzir os riscos é importante. “A pessoa com diabetes deve evitar o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagismo, além de controlar o estresse. O paciente deve também manter a glicemia e a pressão arterial sob controle, como também os níveis do colesterol”, destaca a cardiologista.

    Todos os comportamentos só serão cumpridos se a pessoa optar por adaptar-se a uma rotina mais sadia. “É preciso identificar uma motivação pessoal, estabelecer metas e desenvolver formas saudáveis de lidar com os desafios do diabetes. Comemorar cada conquista, cada meta alcançada, é fundamental. Parabenizar-se faz parte do sucesso, da adaptação”, argumenta a endocrinologista Marcela França.

    CIDH

    A unidade ambulatorial de nível secundário da Sesa é referência na assistência a pessoas com diabetes de tipos 1 e 2, de alto e muito alto risco. Com a pandemia de Covid-19, o CIDH precisou adaptar-se ao contexto, principalmente daqueles que fazem parte dos grupos de risco. Na unidade, a assistência ocorre de duas formas: presencialmente, com marcação de consulta direta, e pelo TeleSaúde. De janeiro até 24 de junho, 2.039 teleconsultas foram realizadas. Os pacientes devem ser encaminhados ao CIDH pela Atenção Primária.

    “Desde março, iniciamos o atendimento dos pacientes com a equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros e nutricionistas, garantindo que as pessoas tenham acesso às consultas e mantenham a diabetes controlada”, detalha a diretora clínica.

    Viva Bem com Diabetes

    Diabetes: a doença crônica que não espera a pandemia passar – Veja Saúde


    O Brasil conta com mais de 13 milhões de brasileiros vivendo com diabetes, muitos dos quais dependem exclusivamente da insulina como forma de tratamento. Todas essas pessoas precisam seguir uma rotina de cuidados, da alimentação ao uso de medicamentos, que não pode parar nem em tempos de pandemia de Covid-19.

    Ainda assim, pesquisadores da Universidade de São Paulo mostraram mudanças consideráveis na rotina desses pacientes já em 2020. Eles notaram redução da atividade física e pior controle dos níveis de açúcar no sangue, dois fatores importantes para o controle do quadro clínico e para manter indivíduos com diabetes longe dos prontos socorros.

    Uma compilação de estudos feitos pela Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, indicou que quase um terço das complicações e das subsequentes mortes pelo coronavírus aconteceram em pacientes com diabetes. Cada vez fica mais claro que doenças metabólicas, obesidade e diabetes têm um papel preponderante no agravamento da Covid-19.

  • Esse é um dos motivos pelos quais a comunidade médica reforça a importância do controle e da manutenção da rotina saudável para quem possui diabetes. E pensando no contexto atual, nas pessoas e nos seus familiares, a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD) e a Novo Nordisk, com o apoio da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), lançaram recentemente a campanha “A Caneta da Saúde”. O objetivo é informar os pacientes sobre as vantagens das canetas preenchidas de insulina, estimulando o uso de um recurso que está disponível no SUS, em todo o Brasil, para pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 (preferencialmente acima de 50 anos ou abaixo de 19 anos).

    Essa tecnologia contribui para a melhor qualidade de vida e para o controle glicêmico, levando à redução das emergências hospitalares. Ela é mais fácil de aplicar e oferece maior autonomia em momentos de isolamento social. Isso sem contar que a caneta preenchida de insulina gera menos dor na aplicação e é mais simples de transportar. As informações estão no site www.acanetadasaude.com.br

    Meu desejo é o de que, quando esses tempos difíceis forem superados, possamos olhar para o passado sabendo que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para que as pessoas com diabetes transitassem por esse momento delicado da melhor forma possível. Pequenas mudanças fazem grandes diferenças, especialmente dentro desse contexto.

    *Priscila Olim de Andrade Mattar é endocrinologista e diretora médica da Novo Nordisk

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    Diabetes pode gerar consequências graves para a visão – Estado de Minas

    (foto: Cocoparisienne/Pixabay)
    (foto: Cocoparisienne/Pixabay)

    Neste sábado, 26 de junho, é lembrado o Dia Nacional do Diabetes. Entre as inúmeras complicações que gera para a saúde, o excesso de açúcar no sangue também pode acarretar problemas para a visão, e são perigos muitas vezes não considerados. “Sintomas iniciais podem ser a visão embaçada e desfocada. Ao menor sinal, ligue o alerta”, recomenda o diretor técnico do NEO Oftalmologia – Unidade Vila da Serra, o oftalmologista Leonardo Romano Tibúrcio. O diabetes mellitus é uma doença crônica que impede o organismo de produzir ou aproveitar de forma adequada a insulina no corpo, como esclarece a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 16 milhões de brasileiros que enfrentam o desequilíbrio. Entre os pacientes com diabetes, há risco de transtornos em diferentes partes do olho, como retina, mácula, cristalino e no nervo ótico. Quando os níveis de glicose circulante na corrente sanguínea aumentam, cresce a chance de alterações na visão, que, associadas ao diabetes, na maior parte dos casos tratam-se de glaucoma, catarata, edema macular diabético, retinopatia diabética e consequências mais graves.

    A essas condições dá-se o nome doenças oculares diabéticas. Todas têm o potencial de causar perda grave da visão e, em quadros clínicos severos, até mesmo cegueira irreversível. “Para afastar os riscos de transtornos oculares relacionados ao diabetes, o tratamento deve ser acompanhado pelo endocrinologista e os índices de glicose monitorados regularmente, como de praxe. Assim as complicações podem ser prevenidas de uma maneira geral, no que se inclui o enfrentamento dos distúrbios na visão”, indica Leonardo.

    A causa mais comum de perda irreversível da visão em indivíduos com diabetes é a retinopatia diabética, caracterizada por alterações em vasos sanguíneos da retina, com sangramentos e formação de edema, com diminuição da qualidade da visão como impacto direto. É também uma das principais causas de cegueira entre adultos em idade ativa para o trabalho. O edema macular diabético é um dos efeitos da retinopatia diabética, um inchaço na área central da retina conhecida como mácula.

    “A catarata, por sua vez, é o principal causador da perda da visão em diabéticos no Brasil, mas pode ser revertida com cirurgia”, diz o oftalmologista. Adultos com diabetes têm entre duas a cinco vezes mais chances de desenvolver catarata se comparado a pessoas sem a doença. O problema acontece quando a lente clara do olho, o cristalino, fica opaca, bloqueando a luz. Em diabéticos, a catarata também comumente aparece em idade mais precoce – abaixo dos 40 anos de idade, é 20 vezes mais recorrente em relação a pessoas sem diabetes. Sobre o glaucoma, causado por uma pressão elevada nos olhos, o diabetes quase duplica a possibilidade de surgimento entre os adultos.

    “A ferramenta principal para a prevenção é ir ao oftalmologista anualmente, sem esquecer de dizer que é diabético. É fundamental administrar a glicose, a pressão arterial e o colesterol” – Leonardo Romano Tibúrcio, oftalmologista (foto: Leca Novo/Divulgação)

    Leonardo salienta a importância do diagnóstico precoce para o tratamento em fase oportuna e cuidados adequados de acompanhamento para essas doenças. “A retinopatia diabética, por exemplo, muitas vezes passa despercebida até a perda da visão. Um exame abrangente de fundo de olho é importante de ser feito uma vez ao ano. Nesse caso, detecção e tratamento precoces reduzem a ocorrência de cegueira em 95% dos casos. Complicações na visão pela doença diabética dos olhos podem ser evitadas na maioria dos casos, principalmente se o enfrentamento acontece desde o estágio inicial. Não estar atento aos sintomas é perigoso”, enfatiza o especialista

    Por outro lado, quando o diabetes não é controlado e as alterações que se manifestam na visão não são investigadas, a cegueira pode ser um resultado grave. “Podem acontecer lesões oculares progressivas que levam à perda da visão em definitivo, e nessa hora não há tratamento que reverta o quadro.”

    Ainda que os sintomas das doenças oculares diabéticas apareçam com mais frequência em estágios mais avançados, há que se ter atenção em caso de visão embaçada, flashes de luz no campo de visão, perda repentina de visão e manchas na visão. “A ferramenta principal para a prevenção é ir ao oftalmologista anualmente, sem esquecer de dizer que é diabético. É fundamental administrar a glicose, a pressão arterial e o colesterol, o que pode ajudar a minimizar os riscos de perda da visão entre diabéticos. Os exames devem ser regulares, e também é indicado o acompanhamento de forma multidisciplinar”, conclui Leonardo Romano.

    Viva Bem com Diabetes

    Diabetes: dicas para antes, durante e depois dos exercícios – globoesporte.com

    Dada a sua importância para as pessoas que convivem com o diabetes, os exercícios físicos são considerados parte do tratamento. Quando associados a controle da alimentação e uso de medicamentos, contribuem para manter a glicemia sob controle. No entanto, para que essa prática seja realmente benéfica, é preciso adotar uma série de medidas, desde a monitorização dos níveis glicêmicos através antes, durante e após a atividade física até cuidados com os pés, para evitar a neuropatia periférica, passando pela atenção até a escolha dos alimentos e a hidratação pré, intra e pós-treino. Afinal, pacientes diabéticos precisam evitar os riscos de hiperglicemia ou hipoglicemia, que podem resultar em fraqueza, perda de coordenação e falta de concentração, podendo levar até a óbito. Para conhecer as medidas, o EU Atleta conversou com o médico endocrinologista Marcio Krakauer e com o profissional de Educação Física Emerson Bisan, que também tem a doença.

    Exercícios são parte do tratamento do diabetes, mas requerem cuidados e informação para serem feitos com segurança — Foto: Istock Getty Images

    Krakauer, que é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (Sbem-SP) observa que há quatro pilares do tratamento do diabetes:

    1. Exercícios físicos;
    2. Alimentação adequada;
    3. Medicamentos como insulina e outros, que a pessoa pode precisar utilizar ou não;
    4. Educação sobre a doença.

    No entanto, o endocrinologista pontua que, quando se trata da recomendação de atividades físicas para pessoas com esse problema, é preciso considerar uma série de fatores. Afinal, a depender de uma série de variantes, a atividade pode ter diferentes impactos sobre a glicemia e, portanto, sua prescrição deve ser sempre individualizada. Entre os principais fatores que devem ser levados em conta estão:

    • Tipo de diabetes – pode ser do tipo 1, 2 ou gestacional;
    • Idade do paciente;
    • Condição médica e composição muscular do indivíduo;
    • Modalidade a ser praticada.

    Feito esse alerta, o médico esclarece ainda que, uma forma geral, exercícios leves a moderados permitem melhor utilizar a glicose na corrente sanguínea, ajudando a mantê-la em níveis adequados durante a atividade e nas horas subsequentes.

    Lembrando que isso não exclui a necessidade de monitorar os a glicemia antes, no decorrer e após a prática, ou de estar munido de um carboidrato para o caso de, a partir dessa verificação, observar uma tendência de hipoglicemia. Atividades mais intensas, por outro lado, inspiram mais atenção do paciente diabético. Isso porque, como geram mais estresse para o corpo, liberam substâncias químicas e neurotransmissores que podem aumentar os níveis glicêmicos enquanto se faz o exercício. Além disso, horas depois do treino, como o músculo continua consumindo glicose para fazer sua contração, o indivíduo pode apresentar um quadro de hipoglicemia.

    • Hipoglicemia – Há uma queda acentuada na glicose, que fica abaixo de 70 mg/dl, com sintomas como confusão mental, palpitações, tremores, ansiedade, taquicardia, sonolência, convulsões e inconsciência;
    • Hiperglicemia – Há uma alta acentuada na glicose, geralmente com aumento de açúcar na urina, com sintomas como sede e fome excessivas, vontade frequente de fazer xixi, fadiga, dor de cabeça e dificuldade para respirar.

    – O mais importante é que a prática de exercício de forma saudável evita o aumento da glicose no momento da atividade e hipoglicemia tardiamente. De forma global e independentemente de todos os fatores, a grande questão é que o exercício é extremamente benéfico para qualquer ser humano, em especial para quem tem diabetes. Mas o paciente precisa de educação. Sem isso, não há tratamento. Ele precisa conhecer o diabetes. No caso da educação para o exercício, é preciso saber o que pode acontecer e fazer a monitorização – discorre Krakauer, lembrando que a diabetes é importante fator de risco para agravamento da Covid-19.

    Além de profissional de Educação Física, Emerson Bisan tem a experiência de conviver com o diabetes há 25 anos. O diagnóstico da doença não foi um motivo para ele se afastar da prática de esportes. Pelo contrário, Bisan já participou de 96 maratonas desde que descobriu que tinha diabetes. Porém, mais do que recorrer ao esporte para cuidar de si, ele decidiu ajudar outras pessoas com a doença a praticarem esportes com segurança. Essa tornou-se a sua missão de vida. Não é à toa que Bisan é coordenador de Atividades Físicas da organização sem fins lucrativos Correndo pelo Diabetes, voltada para o estímulo à prática regular de atividades físicas para a promoção da saúde e inclusão da pessoa com a doença.

    Embora exercícios de força e aeróbicos ajam de forma distinta, mais importante é manter regularidade na prática e monitorar níveis glicêmicos — Foto: Istock Getty Images

    Bisan afirma que, enquanto os exercícios previnem complicações do diabetes tipo 1 no longo prazo, como problemas cardiovasculares e dislipidemia, são também fundamentais para quem convive com o tipo 2, pois a atividade física facilita a entrada da glicose nas células sem precisar de insulina exógena. Embora argumente que é importante que o indivíduo varie nas modalidades praticadas, incluindo trabalho de força, aeróbico e até alongamento em sua rotina, o profissional de Educação Física afirma que mais necessário ainda é manter uma regularidade.

    – A mensagem que costumo deixar é que se tiver todo controle e informação sobre monitoramento da glicemia e autocuidado, a pessoa pode realizar qualquer atividade. Costumo dizer que não devemos burocratizar a prática. O importante é a regularidade, incluir uma sequência de exercícios no seu dia a dia. O ideal é fazer um trabalho muscular, cardiovascular e de mobilidade e alongamento. Mas se a pessoa não consegue, é preciso optar pelo que é fácil de colocar na sua rotina – observa o profissional de Educação Física, reforçando que, além de estar sempre munida de informações sobre sua glicose e alimentação, a pessoa deve contar sempre com um carboidrato de rápida absorção para essa experiência ser mais segura e benéfica. – Não saia para 1 km de caminhada sem ter carboidrato à mão para dar uma volta ao mundo.

    Checklist para a prática de exercícios

    Para ajudar quem convive com a doença, com o apoio do endocrinologista e do profissional de Educação Física, preparamos outras orientações para que indivíduos diabéticos realizarem exercícios com segurança.

    • Consulte o seu médico quando for começar a praticar um exercício e conte com o suporte de um profissional de Educação Física. Para caminhar não há restrições, embora também seja importante medir a glicemia para acompanhar como o organismo reage à atividade e ter um carboidrato à mão. Mas para qualquer outra atividade, é preciso orientação e educação para lidar com a doença;
    • Realize uma avaliação cardiológica antes de começar qualquer programa de exercício. A pessoa com diabetes pode estar sujeita à neuropatia autonômica, que afeta nervos dos órgãos internos, incluindo o coração, e pode causar um mal súbito. Procure um cardiologista ou converse com o seu endocrinologista ou clínico geral;
    • Caso não tenha uma rede de suporte que além do seu médico inclua profissional de Educação Física e nutricionista, por exemplo, faça parte de alguma organização, associação ou grupo que ofereça apoio a pessoas com diabetes. Há diversas instituições pelo país afora que oferecem essa orientação de forma individualizada;
    • Verifique a sua glicemia no momento de iniciar o exercício. Não se trata de observar apenas o número absoluto, mas de saber a tendência dentro da faixa ideal de glicemia capilar de 100 mg/dl a 200 mg/dl, conforme recomenda a Sociedade Brasileira de Diabetes;
    • Certifique-se da duração do medicamento caso você faça uso de insulina aplicada com seringa, caneta ou bomba ou utilize remédio via oral. Afinal, sua atuação pode acontecer ainda no momento do exercício. E como há gasto de energia e consumo de glicose nessa hora, o risco de hipoglicemia é aumentado. Por isso, é fundamental conhecer a ação do medicamento;
    • Considere a atividade a ser realizada e sua duração, bem como quando foi a sua refeição e a composição dela. É preciso ter a quantidade de carboidrato suficiente para fazer seu exercício tranquilamente. Mas se não terá um gasto energético muito elevado, não é preciso ingerir alimentos com mais energia;
    • Tenha sempre à mão um carboidrato de rápida absorção para evitar uma hipoglicemia. Isso vale para qualquer atividade, até uma caminhada de meia hora. Para fazer essa reposição, é possível contar com uma garrafa de suco, rapadura, sachê de glicose ou gel esportivo, entre tantas possibilidades. Converse com o seu médico e/ou nutricionista para ter essa recomendação;
    • Evite treinos de alta intensidade à noite, para prevenir uma hipoglicemia no meio do sono, já que, dependendo do exercício, o metabolismo pode ficar acelerado por até 24 horas;
    • Escolha um tênis confortável e apropriado para a prática. Afinal, dentre as complicações do diabetes está a neuropatia periférica. Como nesses casos perde-se a sensibilidade nas extremidades, se o calçado estiver apertado, o indivíduo não sentirá os impactos e atritos que causam lesões e feridas. Uma dica é optar por um tênis um número maior. Recorra ainda ao uso de palmilha de gel, que diminui o impacto e ajuda a instalar melhor o pé no tênis;
    • Use sempre meias brancas, para permitir identificar rapidamente se há alguma ferida nos pés, e sem costuras, para evitar atrito.

    Estabeleça um protocolo para a monitorização da glicemia antes, durante e após a atividade física escolhida — Foto: Divulgação Getty Images

    • Faça a monitorização da glicemia. Não espere os sintomas aparecerem. Se isso acontecer, é um sinal de que já está com uma hipoglicemia ou hiperglicemia. Realize essa medição regularmente;
    • Crie um protocolo para monitorar a sua glicemia. Essa orientação é muito individual, mas, de uma forma geral, devem ser considerados fatores como o tipo atividade, horário, temperatura e local em que aplicou a insulina – afinal, se exigir muito do músculo próximo a essa área, pode haver o risco de hipoglicemia. Se não está habituado a fazer caminhadas, quando for realizar essa atividade por meia hora, verifique esses valores a cada dez minutos. Considere ainda o horário da refeição e o que foi consumido. Com orientação especializada, vale até verificar o comportamento glicêmico ao consumir determinados alimentos, como batata ou macarrão, antes do exercício. Estabeleça um histórico de reação do seu corpo. Afinal, cada um reage de uma forma;
    • Hidrate-se! Quando a glicemia está mais elevada, por exemplo, o corpo tende a eliminar o excesso de glicose e pode haver desidratação. Não descuide, portanto, da ingestão de água.

    Cheque sempre os seus pés em busca de feridas após os exercícios, mesmo que seja uma leve caminhada — Foto: iStock Getty Images

    • Verifique os seus pés em busca de feridas após qualquer exercício. Pode ser uma simples caminhada. Sempre faça essa observação. Retire as meias, limpe bem os pés e examine-os. Se tiver alguma dificuldade de mobilidade, conte com o uso de um espelho para verificar a presença de feridas;
    • Cuide de suas unhas e pés. Considere até ir a um podólogo duas vezes por ano, em média, para tanto;
    • Faça uma reposição hídrica adequada. Não se esqueça dos sais minerais, se a atividade for mais intensa e tiver mais de uma hora de duração. No entanto, vale lembrar que o uso de isotônicos deve ser feito de forma controlada, uma vez que tem açúcar, devendo ser contabilizado no uso do medicamento. Para mais orientações, converse com o seu médico ou um nutricionista.

    Fontes: Marcio Krakauer é médico endocrinologista, fundador e presidente da Associação de Diabetes do ABC (ADIABC) desde 1998, coordenador geral da endocrinologia do Grupo Leforte – HMCG, coordenador do Departamento de Tecnologia, Saúde Digital e Telemedicina em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, médico voluntário na Liga de Diabetes da Faculdade de Medicina do ABC PI e pesquisador principal desde 2013 do Centro de Pesquisa Clínica Science Valle Research Institute.
    Emerson Bisan é profissional de Educação Física, portador de diabetes do tipo 1 e diretor de Atividade Física do Correndo pelo Diabetes (CPD). Treinador da Nova Equipe Assessoria Esportiva, é também educador em diabetes, maratonista com 96 maratonas no currículo e ultramaratonista. Foi eleito o Atleta SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) em 2019.

    Viva Bem com Diabetes

    Pessoas recuperadas de covid-19 podem desenvolver diabetes, mostra estudo – VivaBem

    O diabetes é considerado um fator de risco para o desenvolvimento de casos graves de covid-19. O que vem sendo analisado é que o oposto também pode ocorrer: alguns pacientes recuperados da doença foram diagnosticados com diabetes, tipo 1 e tipo 2, de acordo com um estudo publicado no periódico Diabetes, Obesity and Metabolism, em 27 de novembro de 2020.

    Os pesquisadores analisaram 3.711 pacientes em oito estudos diferentes. Eles concluíram que 14,4% das pessoas — mais de um em cada 10 — foram diagnosticadas com diabetes após se recuperarem do coronavírus.

    Novos casos de diabetes podem ser o resultado de inflamação e problemas de insulina relacionados ao coronavírus, segundo os autores do estudo, pesquisadores de várias universidades, incluindo a McMaster University, no Canadá.

    Covid-19 pode piorar problemas de saúde existentes

    Em pelo menos alguns desses casos, os autores do estudo explicam que o paciente já poderia ter diabetes e não sabia até ser hospitalizado por causa da infecção da covid-19.

    Mas as evidências também sugerem que o coronavírus pode ser suficiente para agravar os problemas de saúde metabólica existentes em diabetes tipo 2, segundo Jose Aleman, professor de endocrinologia da NYU Langone Health.

    “Condições estressantes levam a níveis elevados de hormônios reguladores que aumentam o açúcar no sangue para ajudar o corpo a lutar contra qualquer insulto que esteja enfrentando, como doenças ou ferimentos”, disse ao site Insider.

    Essas condições que os autores citam incluem pré-diabetes, obesidade, resistência à insulina ou pressão alta. Isso pode explicar como o vírus está relacionado a novos casos de diabetes tipo 2, quando o organismo não produz quantidade suficiente de insulina ou não consegue empregar o hormônio produzida de forma adequada.

    E os novos casos de diabetes tipo 1?

    Os autores pontuam que ainda não está claro como o coronavírus também pode estar relacionado a novos casos de diabetes tipo 1, que é quando o organismo deixa de produzir insulina, o hormônio que leva a glicose para dentro das células, para que o açúcar seja usado como combustível.

    A melhor teoria, segundo o professor da NYU, é que a covid-19 pode fazer com que o sistema imunológico reaja exageradamente e destrua algumas das células do próprio corpo enquanto luta contra o vírus.

    Os pesquisadores descobriram que o coronavírus, ou a resposta imunológica do corpo a ele, pode interromper as células beta do pâncreas, potencialmente desencadeando o aparecimento de diabetes tipo 1.

    Por isso, pacientes com distúrbios autoimunes existentes ou mais velhos com problemas no sistema imunológico podem estar particularmente sob risco.

    Por que este estudo é importante?

    Os autores do estudo explicam que esses pacientes recuperados de covid-19 com diagnóstico de diabetes devem ser tratados adequadamente e monitorados — isso para checar se algum outro distúrbio relacionado à doença também pode surgir, como problemas cardiovasculares.

    “Estamos vendo agora um exemplo clássico de uma interseção letal entre uma doença transmissível e uma não transmissível”, escreveram os autores.

    Ainda não se sabe o suficiente sobre como as duas doenças estão relacionadas para compreender completamente o prognóstico de longo prazo dos pacientes. É provável que pelo menos alguns pacientes tenham problemas contínuos.

    “Acho que essa será uma das complicações de longo prazo do coronavírus”, disse o professor ao Insider, que recomenda que as pessoas em risco de diabetes comecem o tratamento para doenças subjacentes, como obesidade e alto nível de açúcar no sangue, agora como medida preventiva.

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